O ano de 2024 era esperado por muita gente e um motivo específico o deixa ainda mais “agitado”. Em outubro, os cidadãos dos 5.565 municípios do país vão às urnas para escolher seus prefeitos e vereadores e, na Região dos Lagos, o cenário eleitoral começou a se movimentar, usando um jargão do futebol, muito antes da bola rolar.
Os pré-candidatos já engataram diversas alianças e os próximos meses tendem a ser de intensificação de um processo que começou, praticamente, na última eleição municipal, em 2020, mais especificamente em Cabo Frio, São Pedro da Aldeia, Arraial do Cabo, Iguaba Grande, Araruama e Búzios.
A prefeita, o deputado, o ex-prefeito e os que correm por fora
De acordo com dados da Justiça Eleitoral referentes a dezembro de 2023, Cabo Frio é o município da região com mais eleitores aptos a votar. A Zona Eleitoral 96, do primeiro distrito, tem o registro de 74.540 cidadãos. Enquanto isso, a 256, de Tamoios, possui 91.444 eleitores. Sendo assim, 165.984 pessoas poderão decidir o futuro político do município no fim do ano.
A atual prefeita Magdala Furtado (PL) foi vice na chapa de José Bonifácio, que faleceu no ano passado. Empresária em Tamoios, Magdala é candidata à reeleição. No entanto, o cenário para a prefeita é um tanto quanto adverso, com alguns problemas e percalços. O governo de Magdala, apesar de curto, se cerca de polêmicas. Como exemplo mais recente, a queda de braço com a Câmara Municipal no mês passado ou a falta da queima de fogos na virada do ano.
Além disso, a chefe do Executivo ainda não tem uma sigla para concorrer. Atualmente, Magdala está nos quadros do PL. No entanto, o partido tem como pré-candidato no município o deputado estadual Dr. Serginho (PL). Há quem diga que Magdala estaria entre o PT e o Republicanos, mas ainda não há uma definição sobre.
Já Dr. Serginho chega em 2024 embalado – apesar do aliado político dele, o governador Cláudio Castro, ser alvo em investigações sobre desvios de contratos na área social do governo. Além disso, é concorrente nessa pré-campanha à prefeitura cabo-friense um velho conhecido político municipal: o ex-prefeito Marquinho Mendes (MDB) – considerado um verdadeiro “mestre” na arte de conquistar votos na rua, no corpo a corpo. Apesar de alguns considerarem a situação de Marquinho inviável por questões na justiça, o médico reitera constantemente que é “pré-candidatíssimo” e que vai com tudo para tentar retomar o posto de chefia no prédio da Praça Tiradentes.
Correndo por fora da disputa, estão o ex-vereador e ex-secretário adjunto de Ciência e Tecnologia de Cabo Frio, Rafael Peçanha (PT), e o presidente da Câmara, Miguel Alencar (UNIÃO). No entanto, o que corre por aí é que há a possibilidade de Miguel formar uma aliança com Dr. Serginho. A assessoria do vereador nega.
O prefeito ‘fora do meio’, o ex-prefeito e a ex-vereadora
Em São Pedro da Aldeia, o atual prefeito, Fábio do Pastel (PL), é franco pré-candidato à reeleição. No páreo com ele, até aqui, devem constar o ex-prefeito Cláudio Chumbinho (REP) e a ex-vereadora Bia de Guga (MDB), que ficou em 2º lugar nas eleições de 2020. Os três são os principais pré-candidatos para tentar conquistar o voto de 71.115 eleitores.
Ex-vereadora, Bia de Guga conseguiu uma votação expressiva há três anos. No entanto, ela ganhou notoriedade como integrante da base do então prefeito Chumbinho. A divisão de votos entre ela e Dr. Stéfano, que foi indicação do então chefe do Executivo, é apontada como o motivo da eleição de Fábio.
Nesse sentido, há quem diga que Fábio do Pastel pode, novamente, se beneficiar de uma eventual divisão de votos. Dessa vez, entre Bia de Guga e o próprio Cláudio Chumbinho.
De aliados a rivais, de rivais a aliados
Em Arraial do Cabo, dois pré-candidatos principais despontam no cenário para as eleições de outubro. Caso consigam confirmar suas candidaturas, os 34.404 eleitores cabistas devem ter como opções, o atual prefeito, Marcelo Magno (PL), e o ex-prefeito, Wanderson Cardoso de Brito, o Andinho.
A situação, apesar de um tanto quanto inusitada, não é nada fora do convencional em Arraial do Cabo. Marcelo Magno se elegeu com a bênção de Andinho em 2020. O objetivo era derrotar o então candidato à reeleição Renatinho Vianna (REP). Inclusive, o irmão de Andinho, Deivinho, é o atual vice-chefe do Executivo municipal.
No entanto, para se cacifar, de olho no voto do cabista em 2024, Andinho rompeu com Marcelo. Logo, a ideia é que mesmo que não consiga viabilizar sua candidatura por eventuais pendências com a Justiça Eleitoral, Andinho deve ser um nome importante na disputa eleitoral cabista. Correndo por fora, o município conta também com o ex-vereador Ton Porto (PDT).
Grupo agregador e o concorrente
Enquanto isso, em Iguaba Grande, o prefeito Vantoil Martins (CID) tem feito um notável empenho para cacifar a pré-candidatura de seu chefe de gabinete, Fábio Costa, o Fabinho, para sua sucessão. De olho nos 27.848 votos disponíveis na cidade, Vantoil, que tem alta aprovação na cidade, conseguiu agregar praticamente todas as forças oposicionistas da cidade em seu governo.
Por exemplo, Nickolas Tahim, filho de Washington Tahim, candidato contra Vantoil na eleição suplementar de 2019 e na eleição municipal de 2020, é o atual secretário de Esportes iguabense. Até a advogada Margoth Cardoso, que, enquanto candidata em 2020, chegou a protocolar um pedido de cassação da candidatura de Vantoil, estreitou laços com o governo para viabilizar um projeto de educação ambiental.
O vereador licenciado e ex-presidente da Câmara, Balliester Werneck (CID), que chegou a ter uma racha com Vantoil, entrou na gestão municipal para assumir a secretaria de Integração Governamental e Relações Políticas.
Como oposição na cidade, o grupo de Vantoil deve enfrentar nas urnas o ex-vereador e ex-secretário de Meio Ambiente, Marco Antônio (PSB). Atualmente, ele faz reuniões na cidade para viabilizar sua pré-candidatura.
A pedra no sapato para a sucessão
Em Araruama, tal qual acontece em Iguaba, a prefeita Lívia de Chiquinho (REP) e seu marido, o ex-prefeito Chiquinho da Educação (MDB), têm se empenhado na missão de fazer o sucessor. No caso deles, a pré-candidata é Daniela de Lívia (MDB), prima da prefeita. Daniela assumiu a secretaria de Governo no município no ano passado, com o intuito evidente de se cacifar politicamente.
No entanto, diferente da cidade vizinha, existe um movimento em Araruama pedindo por renovação após oito anos de mandato do grupo de Chiquinho. A vereadora da oposição, Penha Bernardes (PL), conseguiu reunir diversas autoridades do município, incluindo a vice-prefeita Raiana Alcebiades (PSD).
São várias as forças políticas se aglutinando ao redor da parlamentar. No PL, partido do governador Claudio Castro, Penha conta com boa estrutura. A sigla tem três senadores e as maiores bancadas tanto da Câmara dos Deputados quanto da Alerj. Na cidade, além de Raiana Alcibiades, Penha conta com o apoio, como do ex-prefeito André Mônica (PDT).
Apesar dessa polarização, há quem tente furar a bolha. A empresária Verônica Januário (Avante) é pré-candidata à prefeitura em um grupo ao lado deo do ex-vice-prefeito Marcelo Amaral e do ex-vereador Rone Rossy.
Prefeito quer reeleição, mas ex busca o cargo de volta
Em Búzios, o prefeito Alexandre Martins (REP) deve tentar também a reeleição em 2024. A oposição a ele tem como principal nome o ex-prefeito Mirinho Braga (PDT), que se colocou como pré-candidato na última convenção municipal de seu partido.
Mirinho deve reunir forças antagônicas a Alexandre Martins, incluindo a ex-vereadora Gladys Nunes e a liderança Robinho Mota. No entanto, quem se recusou a compor com eles e deve correr por fora na disputa é o policial militar Leandro do BOPE.
Candidato de Mirinho em 2020 e 2º colocado na disputa, Leandro foi secretário de Segurança Pública de Arraial do Cabo nesse meio tempo. Ele permaneceu no cargo até o ano passado, quando pediu exoneração para retomar sua jornada política na península buziana.
A cidade vive um clima um tanto quanto instável por conta de uma ação que corre contra Alexandre Martins, com o objetivo de caçar sua candidatura em 2020 por abuso de poder econômico. A oposição fez as contas de que haveria uma nova eleição suplementar em maio do ano passado, o que acabou não se concretizando. Atualmente, a ação contra Alexandre Martins corre no TSE, em Brasília, mas não há previsão de julgamento.


