Com investimento de R$ 2,5 milhões, Igreja de São Benedito, em Cabo Frio, passará por restauração

Obras de restauração deve durar cerca de dois anos. Foto: Prefeitura de Cabo Frio

A Igreja de São Benedito, localizada no bairro Passagem, em Cabo Frio, vai passar por uma restauração após cerca de 10 anos fechada, devido à danificação causada pelo tempo. O fundo para a restauração veio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – Faperj. O termo de outorga foi assinado no valor de R$ 2,5 milhões na última sexta-feira (14).

O valor para a obra de reparação do local foi cedido após a igreja ser aprovada em um edital de apoio à restauração de patrimônios históricos e tombados, lançado pela Faperj.

As obras de reparação da Igreja de São Benedito ainda não iniciaram, mas o Padre Marcelo Chelles, responsável administrativo pela igreja, informou que ficará à frente das questões administrativas da restauração do local, que deve durar cerca de dois anos a depender do andamento das obras.

“O pároco é sempre quem responde administrativamente. Haverá uma empresa de restauração que responderá pela parte técnica da obra.”, explicou.

O Padre fez questão de reforçar que toda a igreja permanecerá com sua arquitetura original ao passar pela restauração e que todos os órgão de tombamento já deram autorização para as melhorias na igreja. Ele finaliza dizendo que ao concluir as obras, a Igreja de São Benedito voltará a ter Missas, conforme a escala própria de toda Capela.

História da Igreja de São Benedito

Construída em 9 de abril de 1761, a Igreja de São Benedito servia originalmente como local de culto para pessoas escravizadas que pertenciam a irmandades. A memorialista Meri Damaceno é pesquisadora da história da igreja e conta que as pessoas negras da época tinham dificuldade de frequentar a Igreja Matriz, no centro de Cabo Frio, principalmente pela questão racial. De acordo com ela, foi por isso que João Botero da Ponte, um dos moradores da região, resolveu fundar a Igreja de São Benedito.

“Ele pediu as terras à Câmara, foi doado para ele esse pedaço de terra ali do Largo, e ele junto com a mão escrava construiu a Igreja de São Benedito para que os negros pudessem fazer as suas orações ali. Tinha os batouques no Largo, tinha Jongo, Bangolê, as festas do padroeiro que era feita estritamente pelos negros.”, lembrou a memorialista.

No entanto, Meri destaca que, embora a ingreja tenha sido construída para os negros, com o passar do tempo essas pessoas já não eram mais vistas com frequência no local.

“Eu tô ali há 60 anos, então eu não lembro da minha infância ter tido muitos negros na Passagem. Eu só conhecia uma família de negros. Depois eu descobri que a partir dos anos 20 realmente não tinha muito negro.”, contou.

A cultura promovida pela Igreja de São Benedito

Somado ao contexto histórico, a representação cultural da Igreja de São Benedito é um ponto forte do local, que Meri afirma também ter se perdido ao longo dos anos.

“A Festa de São Benedito, ela parou um tempo nos anos 70, depois voltou nos anos 80 e, de vez em quando tem e não tem.”, pontuou a memorialista.

Meri aponta que isso pode ter sido influenciado pelos comércios que foram se instaurando na Passagem. Segundo ela, a Praça São Benedito era uma local que tinha samba e rodas de jongo, por exemplo, mas que não existem mais como antes devido aos bares e restaurantes que foram chegando à localidade.

“Tanto que teve a semana Teixeira e Souza e fizeram um evento ali maravilhoso com uma cantora, foi lindo. E teve um dos bares ali que colocou o som mais alto do que o da praça para atrapalhar.” disse.

Relevância atual da Igreja de São Benedito

A memorista Meri afirma que ainda existem itens originais na Igreja de São Benedito, como os santos, os castiçais de madeira pintados de azul e branco e o sino. Para ela, a história do local, somado às lembranças físicas e a restauração da igreja podem promover o resgate cultural do local.

“Trazer esses festejos para a praça, trazer a procissão de São Benedito, trazer a procissão de Nossa Senhora dos Navegantes, resgatar mesmo. Isso turisticamente é muito bacana. Não só turisticamente, mas para a gente que mora aqui.” disse Meri sobre a restauração que está para acontecer na Igreja de São Benedito.

Por ter uma história profissional e pessoal com a Igreja de São Bento, Meri afirma que essa restauração é algo que também deixa ela preocupada, pois, segundo a memorialista, é importante que a estrutura original da igreja seja mantida. Por conta disso, Meri finaliza afirmando que pretende acompanhar as obras de restauração do local de perto.

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