Cabo-friense, nascida no bairro Vila Nova e neta do pintor Torres do Cabo, figura histórica da cidade, Camila Saraiva Souza, de 33 anos, é mãe e foi recentemente anunciada como Secretária da Melhor Idade no governo de Dr. Serginho. Formada em Educação Física e pós-graduanda em Gerontologia, Camila atua há dois anos como voluntária na Associação das Ondinas, grupo fundado por seu avô.
Ao Portal Fonte Certa, Camila falou sobre sua experiência com a pessoa idosa, como pretende desenvolver o trabalho já iniciado na secretaria, reorganizar o Lar da Cidinha – casa de acolhimento gerida pela prefeitura – e ampliar a ocupação de espaços públicos na cidade com atividades voltadas para a melhor idade.
Leia a entrevista completa:
Fonte Certa: Como você está se organizando para assumir um cargo público pela primeira vez, já como secretária, em destaque e sob observação?
Camila: É uma experiência nova, né? Ainda estou me familiarizando com o funcionamento da secretaria e dos equipamentos. Mas, de certa forma, já trago a experiência adquirida na Associação Ondinas, onde sou voluntária há dois anos. Foi como um estágio, porque lá tudo funciona muito bem, de forma organizada. É claro que a secretaria é algo muito maior, mas essa convivência com a pessoa idosa e o aprendizado sobre suas necessidades são experiências que pretendo levar comigo. Vale ressaltar que a Ondinas é uma associação independente, que continuará funcionando dessa forma, mas minha vivência lá contribui muito para o trabalho que quero desenvolver na secretaria.
FC: Assumir esse cargo é um novo desafio, mas você já encontra um trabalho em andamento. O que você já tem conversado ou pensado sobre a secretaria? Teve acesso a informações importantes?
Camila: Tive acesso a algumas informações de forma informal, mas ainda não participei de uma transição oficial. Já sei que alguns projetos estão em andamento e, claro, queremos dar continuidade a eles, além de implementar nossas próprias ideias. Nosso principal objetivo é tornar a secretaria mais acessível. Hoje, o equipamento mais conhecido é a Casa de Convivência nas Palmeiras, mas queremos levar essas práticas e atividades para praças, praias e outros espaços públicos da cidade.
FC: Você mencionou a importância de ampliar o suporte. Considerando que muitos bairros de Cabo Frio ainda são carentes nesse aspecto, como essa leitura da realidade pode facilitar seu trabalho?
Camila: Muitos bairros são carentes nesse tipo de política pública, e a localização da Casa de Convivência, nas Palmeiras, pode ser um problema para quem depende de transporte público. Nós acreditamos que o trabalho que queremos realizar tem que ser para todos. Não pode haver essa distinção. Queremos ocupar os espaços públicos em diferentes áreas da cidade, para que a pessoa idosa tenha acesso às atividades sem precisar enfrentar dificuldades de mobilidade. Isso tornará as ações da secretaria mais inclusivas.
FC: Dentro da secretaria, um dos maiores desafios será o Lar da Cidinha, que enfrenta problemas há anos. Como você pretende lidar com essa situação marcada por descaso?
Camila: Um dos nossos objetivos é mudar a percepção da sociedade em relação ao Lar da Cidinha. Não podemos continuar vendo o lar como um “calcanhar de Aquiles” da cidade. Queremos promover um entendimento sobre a importância de cuidar da pessoa idosa e melhorar os serviços. Precisamos de uma integração maior entre os departamentos municipais, especialmente em situações que exigem suporte médico. O lar deve oferecer o cuidado diário e os primeiros socorros adequados quando necessário, mas é primordial o apoio da Secretaria de Saúde, contar com apoio dos hospitais para atendimento rápido desses idosos e já estamos estudando como resolver essas questões.
FC: Muitas pessoas após a aposentadoria buscam descanso e paz na Região dos Lagos, algo que também fomenta a economia local e até o turismo. Esse público, que muitas vezes viaja após a aposentadoria, também está no foco da secretaria?
Camila: Sim, esse é um público muito importante. Muitos se aposentam nos grandes centros e vêm para Cabo Frio em busca de qualidade de vida, contribuindo para a cidade economicamente e socialmente. Nossa ideia é criar parcerias com a Secretaria de Turismo para promover ações conjuntas, valorizando tanto os idosos que vêm de fora quanto os nascidos aqui. Um exemplo seria transformar moradores locais em guias turísticos informais, mostrando os pontos turísticos da cidade. Queremos fomentar o envelhecimento ativo, valorizando a contribuição desses cidadãos para o desenvolvimento da cidade.
FC: Cabo Frio não se resume ao primeiro distrito. O segundo distrito tem crescido exponencialmente, com muito potencial de desenvolvimento. Esse crescimento também reflete em um aumento da população idosa na região?
Camila: Sim, Tamoios é uma região que já conta com muitos aposentados, e nosso objetivo é garantir que os grandes projetos da secretaria sejam executados tanto no primeiro quanto no segundo distrito. Queremos resgatar eventos como a seresta da Praça da Bandeira e levá-los para diferentes locais, como Tamoios, Jardim Esperança e São Cristóvão. Nosso foco é ocupar os espaços públicos de diversas formas, garantindo que a pessoa idosa em todas as regiões da cidade tenha acesso às atividades.


