Pelos próximos dois anos consecutivos, a cultura local da Região dos Lagos e Baixadas Litorâneas será representada pela aldeense Juliane Carvalho no Conselho Estadual de Política Cultural do Estado do Rio de Janeiro (CEPC-RJ). A posse aconteceu neste sábado (24), às 10h, no Salão Assyrio do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. E a cerimônia marcou o início de um período de representação “ética, coletiva e comprometida”, como afirma a agente cultural eleita com 52 votos.
“Meu propósito para os próximos dois anos é continuar buscando garantir que as políticas públicas culturais sejam mais justas, inclusivas e, sobretudo, representativas. É fundamental fomentar a articulação entre os municípios, defender a valorização das expressões culturais tradicionais e contemporâneas, lutar pela descentralização de recursos e construir pontes entre a sociedade civil e gestão pública, fortalecendo quem faz cultura na ponta, na base”, destacou Juliane ao portal Fontecerta.com.


A Região dos Lagos é uma das 10 regiões administrativas que compõem o Conselho Estadual de Cultura. A gestão de Juliane à frente da cadeira das Baixadas Litorâneas promete contribuir com avanços e desenvolvimento de projetos culturais locais em Araruama, Armação dos Búzios, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Iguaba Grande e São Pedro da Aldeia, além de Casimiro de Abreu, Rio das Ostras, Saquarema e Silva Jardim. Cada uma dessas cidades possui uma diversidade cultural singular, com manifestações que vão desde culturas populares tradicionais até produções artísticas contemporâneas, compondo um território de grande riqueza e potência criativa.
Conheça mais sobre o trabalho de Juliane Carvalho na cena cultural da região das Baixadas Litorâneas
Turismóloga pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e pós-graduada em políticas culturais de base comunitária pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLASCO Argentina), ao longo dos anos, Juliane Carvalho estabeleceu um extenso currículo na cena cultural local, nacional e internacional.

Na Região dos Lagos, a agente cultural atua como coordenadora do ponto de cultura e memória aldeense, o Ilê Asé Iya Oju Omi; e foi presidente do Fórum Municipal de Cultura de São Pedro da Aldeia por dois mandatos consecutivos, contribuindo significativamente para o fortalecimento das políticas culturais locais. Ela também é representante do Brasil na Equipe de Acompanhamento Continental do Movimento Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária e é co-fundadora da Rede de Cultura Viva da Baixada Litorânea.
“Estar nestes espaços me preparou profundamente para compreender as demandas locais e regionais, articular diferentes segmentos culturais e fortalecer a participação social na construção das políticas culturais.”, explicou Juliane sobre as experiências culturais que teve.
Com trajetória cultural marcada principalmente pela atuação em São Pedro da Aldeia, ela reafirma a felicidade de ver a cadeira da Baixada Litorânea do conselho estadual de cultura ocupada com protagonismo aldeense, tanto na titularidade quanto na suplência — que contou com a eleição do também agente cultural aldeense João Luiz Antunes.
“É um salto significativo para nossa cidade e para toda a região.”, disse.

Juliane finalizou a entrevista contando que a ocupação do cargo que representa a cultura da Região dos Lagos no Conselho Estadual é um papel de muita responsabilidade, mas também de esperança e potência transformadora.
“Representar a nossa região é também levar as vozes, as demandas e os sonhos de quem faz cultura na ponta, sobretudo dos territórios que historicamente foram invisibilizados nos processos de decisão. Ser conselheira estadual de cultura significa, antes de tudo, é assumir um compromisso ético com a defesa e promoção da cultura como um direito fundamental de todos. É ser ponte, escuta ativa e força mobilizadora, atuando para garantir que as políticas públicas culturais sejam construídas de forma democrática, participativa e transparente.” concluiu a agente cultural, que contou com a aprovação de 68% do colégio eleitoral na eleição do Conselho Estadual de Políticas Culturais.
Entenda o que faz um conselheiro de cultura
Os conselheiros estaduais de cultura contribuem ativamente para a elaboração de planos e programas culturais, definindo prioridades para o desenvolvimento artístico e patrimonial para todas as regiões do estado. Cabe ao conselheiro planejar, fiscalizar, assessorar e promover ações que assegurem a gestão democrática da cultura em todas as suas expressões, garantindo que as decisões políticas reflitam as necessidades dos territórios.
Além disso, aqueles que ocupam o cargo ainda devem fiscalizar a aplicação de recursos em projetos culturais, propor ações de preservação do patrimônio e fortalecer a articulação entre a cultura e outras áreas, como educação, turismo e desenvolvimento social.

