Azul Puro Azul: o som que brota das raízes de Cabo Frio

Entre o mar e a cidade, artista cabo-friense constrói trajetória autoral que valoriza a cultura local

Entre o mar e a cidade, artista cabo-friense constrói trajetória autoral que valoriza a cultura local (Foto: Felipe Ayres)

Ele nasceu com os pés na areia e cresceu com um violão nas mãos. Filipe Guimarães Campos, o Azul Puro Azul, é filho da maré e da cidade. Faz da música um espelho da vida em Cabo Frio, misturando identidade, poesia e um som autoral que tem ganhado espaço dentro e fora da Região dos Lagos.

Com quase 20 anos de estrada, o artista construiu uma trajetória sólida, afetiva e coerente, marcada pela valorização da música autoral e da cultura local. Seu mais recente álbum, Alma de Beira da Praia (2023), é um manifesto sonoro sobre a vida litorânea. As canções falam da rotina à beira-mar, dos personagens reais, das ruas e paisagens da Região dos Lagos, tudo com sotaque próprio, melodias suaves e letras que grudam feito areia molhada.

Suas composições — algumas em parceria com artistas da região, como Dio Cavalcanti e Antônio de Gastão — carregam o espírito de quem conhece cada curva do litoral. “Acredito na força do que é nosso. A Bahia tem seus nomes. Aqui também tem muita coisa boa, e a gente precisa cantar isso”, diz.
Azul já se apresentou em festivais como o Sesc de Inverno, onde abriu os shows de Daniela Mercury e Samuel Rosa. Já se apresentou em festivais da cidade e até no campeonato mundial de surfe, durante o lançamento de um filme do bicampeão Filipe Toledo. Também passou por palcos no Rio de Janeiro, Niterói, interior de São Paulo, além das cidades vizinhas de Arraial, Búzios, São Pedro da Aldeia, Saquarema e Rio das Ostras.

A carreira, no entanto, não se resume ao palco. Azul também assina roteiros, dirige seus próprios videoclipes, apresenta quadros de rádio e TV e idealiza projetos culturais. Criou eventos como Forró du Xamêgo e É Assim que a Banda Toca, e foi responsável pela Casa de Cultura Som do Mar, entre 2018 e 2020. Já produziu centenas de ações culturais na Região dos Lagos e coordenou, por três anos, oficinas socioeducativas em oito unidades do CRAS de Cabo Frio.

Nas apresentações, Azul Puro Azul sempre conta com a participação do seu filho Valentim, de 7 anos (Foto: Felipe Ayres)

Em 2024, o artista levou seu trabalho a um dos espaços mais simbólicos da cidade: o Forte São Matheus. Lá, inaugurou a exposição Alma de Beira da Praia, a primeira em séculos no local, reforçando o conceito do álbum e a relação entre sua arte e o território. “Tudo é pensado com cuidado: o repertório, os vídeos, os músicos, o cenário. A gente joga a rede ao mar e agora começa a puxar os peixes”, resume, com a metáfora de quem aprendeu a esperar o tempo certo da maré.

Do primeiro violão, ainda na infância, às composições premiadas, aos palcos lotados e às produções audiovisuais que circulam pela internet, Azul construiu um caminho próprio com calma, constância e convicção. Sem fórmulas prontas, mas com propósito.

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