O secretário de Saúde de Cabo Frio, Antônio José Macabu, afirmou que o estado da saúde do município é “caótica”. O comentário foi feito durante uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (31), na sede da secretaria. Durante a entrevista, o secretário falou abertamente sobre o estado do prédio do almoxarifado, do Hospital da Criança e de outras unidades visitadas por ele nos dez primeiros dias de gestão.
Segundo Macabu, o prédio do almoxarifado da Secretaria de Saúde encontra-se em estado de calamidade, com estrutura imprópria para armazenar os materiais hospitalares e sem controle de estoque por não haver computadores. Além disso, há uma ordem de despejo do proprietário do prédio, que é alugado. Diante da falta de medicamentos, o secretário disse que teve que dispensar o processo de licitação e “pegar emprestado” com amigos para repor o estoque.
“O ambiente é totalmente desfavorável, com fios soltos pelas paredes, teto caindo com jornal segurando o forro. No local onde houve infiltração pela chuva, havia prateleiras mofadas com material médico em cima. Faltam agulhas para anestesia, anestésicos, antibióticos, soros fisiológicos, e quando fui pedir uma licitação para as empresas que ganharam a licitação um abastecimento em caráter urgente não havia mais verbas”, disse.
O secretário disse ainda que há materiais cirúrgicos como agulhas para anestesia peridural, que constam como entregues em notas fiscais e nunca foram encontradas. Segundo Antônio Macabu, que é anestesista, as unidades necessitam desse material há seis anos, mas as agulhas estavam guardadas, sem uso e algumas já vencidas. Ainda segundo ele, todos esses problemas envolvendo a saúde pública do município são sequelas herdadas de gestões passadas.
Sobre o Hospital da Criança, alvo de vandalismo na noite da última terça-feira (24), Macabu repetiu o discurso de abandono. Segundo ele, não tem como falar em reabertura “nem em médio ou longo prazos”. O médico comentou que o local está com as estruturas prediais completamente sucateadas por roubos de fiação e de parte dos aparelhos hospitalares, fora a depredação estrutural. Uma reunião foi realizada com o secretário de obras, José Bulcão, para discutir as medidas a serem tomadas.
Sobre a dispensa de licitação, o Portal entrou em contato com a prefeitura e aguarda uma resposta.


