“Damas de ferro” do Saneamento: cabo-frienses fazem história na direção da Prolagos

Aline Póvoas e Roberta Moraes comandam momento histórico da maior empresa da região

Aline Póvoas e Roberta Moraes comandam momento histórico da maior empresa da região (Foto: Mari Ricci)

Difícil olhar para elas e não sentir orgulho. Afinal, estamos falando de duas cabo-frienses que ocupam atualmente os cargos mais importantes, da maior empresa da região. Aline Póvoas, Diretora Executiva, e Roberta Moraes, Executiva Institucional da Prolagos, me receberam na sede da concessionária para uma entrevista para celebrar os 410 anos de Cabo Frio. Entrevista essa que virou um bate-papo entre mulheres que lutam para se destacar na vida profissional. Além de nós três, na sala estavam a premiada fotógrafa Mariana Ricci e a coordenadora de Comunicação da Prolagos, Francine Rosa. Mulheres independentes, com carreira de sucesso, que viram avós e mães terem esse espaço de liderança negado em suas épocas e que cresceram com a “missão” de estarem onde quiserem. E não é que conseguiram?

Quando falamos em saneamento básico, muitas vezes as pessoas não têm noção do que este termo significa de verdade. Água na torneira e esgoto tratado são processos engenhosos, caros, que representam um desafio para quem trabalha nisso. E sim, é um espaço ocupado majoritariamente e historicamente por homens. Mas ao chegar na Prolagos, a gente entende que ali essa realidade começou a mudar e hoje as “Damas de Ferro” do saneamento representam uma porcentagem crescente de mulheres no comando. A Aegea, a holding que comanda a Prolagos, é a primeira empresa do setor na América Latina a emitir títulos sustentáveis (Sustainability-Linked Bonds – SLBs) vinculados a metas sociais, incluindo o aumento da participação feminina em cargos de liderança: de 35,8% para 45% até 2030.

Machismo? Claro que encontraram por aí, mas fazem questão de frisar que não foi dentro da empresa. Os momentos talvez constrangedores que passaram foram em outros ambientes, externos, mas nada que não estivessem preparadas para enfrentar com classe e elegância, porque para ocupar o cargo de liderança que ocupam, Aline e Roberta trilharam um longo caminho de preparação e construção do respeito que desfrutam na Prolagos. Aline ingressou como estagiária em 2008 e Roberta como analista de comunicação júnior em 2017: dá para imaginar o tanto de história que viveram para chegarem aos dias de hoje e ocuparem as cadeiras mais importantes da empresa. E o olhar feminino, mesmo num mundo masculino como o do saneamento, tem feito diferença.

“É o cuidado que vai para além da atividade de engenharia. Temos muitas atividades para a gente se integrar à sociedade, fazer com que as pessoas também entendam o papel dela. A mulher sempre tem um olhar diferente… Esse ano, por exemplo, a gente viu que um grupo de apoio a mulheres em tratamento de câncer de São Pedro não tinha tanto apoio e a gente resolveu fazer o nosso grupo de voluntariado, a gente fez uma ação esse ano de outubro rosa com elas”, relembra Aline.

Já Roberta pontua outra ação que está em andamento e que contou com a sensibilidade feminina para isso e reconhece que a mulher tem um olhar mais amplo e tem como característica a busca pelo diálogo.

“Eu estou pensando aqui num exemplo muito prático, que é algo que ainda está em movimento, que é a questão, por exemplo, da tarifa de pequeno comércio. Isso sempre foi uma questão que as pessoas questionavam, o valor da tarifa comercial, especialmente para lugares que só têm um ponto que utiliza muito pouca água. E aí, só agora nessa gestão, que está sendo levada para a agência reguladora a possibilidade de fazermos uma tarifa diferenciada para comércio, que utiliza um menor volume de água, ou seja, que não tem água com uma atividade final. Então, isso poderia ter acontecido em algum outro momento. Por que só agora? Será que é só o refinamento que a gente fala, né? É o refinamento, é o olhar para você ir atender para além. Eu acho que o que a gente faz muito é ouvir o que está acontecendo na sociedade, o que está sendo dito, o que está sendo questionado e traçar planos de ação para as coisas efetivamente acontecerem”, sinaliza Roberta.

Quantidade de obras simultâneas marcam momento histórico da Prolagos

Presente na Região dos Lagos desde o início dos anos 2000, a Prolagos atualmente conta com 700 funcionários, entre diretos e terceirizados. E não seria exagero afirmar que Aline e Roberta comandam um momento histórico da concessionária, que neste ano tem uma ampla frente de obras em andamento na área de concessão. Ampliação de duas Estações de Tratamento em Cabo Frio, da Praia do Siqueira e do Jardim Esperança; recentemente inauguraram a ampliação da ETE São Pedro; construção de 26 km do cinturão no entorno da Lagoa (atualmente a concessionária tem 38kms); expansão de água nos segundos distritos de Arraial do Cabo, além de Cabo Frio, para São Jacinto e Parque Arruda em São Pedro da Aldeia. Mas tem mais obra, estamos falando de 450 milhões de investimentos.

“Tem muita obra acontecendo ao mesmo tempo. Eu acho que, o tempo todo em que estou aqui, eu nunca vi tantas obras ao mesmo tempo, em tantas comunidades. E ainda tem a Estação de Tratamento de Esgoto de Arraial para ampliar também e modernizar. Todas as estações vão ser terciárias, que são o maior nível de tratamento de Estação de Tratamento de Esgoto que há”, enumera Aline Póvoas.

E tem muito mais pela frente, a começar pelos planos de integração com a sociedade. Para elas, não basta a licença operacional da Prolagos, ela existe e foi concedida por todos os órgãos competentes. Mas ela não é a única que as executivas querem. Querem diálogo e entendimento com a sociedade civil, querem ser bem quistas onde a empresa opera. Coisa de mulher? Com certeza, e com a chancela de que é preciso olhar além do essencial.

“Pela natureza da minha formação, da minha atuação, eu queria muito que as pessoas entendessem de verdade o papel delas e não mais encontrassem responsáveis ou terceirizassem a responsabilidade. Eu acho que o papel da concessionária é muito bem definido e tem muitos instrumentos que garantam que ele seja realizado, que é um contrato de concessão. A gente tem uma legislação muito moderna e a gente precisa acompanhar, a gente faz parte de um grupo que é muito robusto, então isso me deixa muito tranquila de todos os investimentos que vão ser feitos. Mas, enquanto jornalista, quando eu vejo a desinformação e a falta de responsabilidade que as pessoas têm. Então eu gostaria de contribuir muito para quase que a formação da sociedade, porque eu acredito muito que quando as pessoas sabem efetivamente o papel delas, a responsabilidade, elas vão saber cobrar com eficiência. Nosso papel também é participar dessa formação, é fazer com que as pessoas entendam, porque eu entendo que, daqui da nossa área de concessão, se as pessoas não sabem como as coisas funcionam, a maior parte da responsabilidade é nossa que não soube explicar. Então, é isso que eu gostaria, sabe? De ver as pessoas entendendo a real participação delas”, conclui Roberta Moraes.

Aline Póvoas concorda com os planos da Roberta

“O que eu quero muito? Eu quero entregar essas obras todas, estamos fazendo muitas e eu acho que vai ter um benefício muito grande para a região. Mas eu gostaria muito de a gente ter uma discussão mais técnica, sabe? E isso passa pelas pessoas entenderem como que as coisas funcionam. Hoje a gente teve uma reunião sobre isso. Como que a gente se comunica melhor? Como que a gente faz a informação chegar na casa das pessoas da maneira correta? Pra gente ser cobrado exatamente pelo que a gente precisa fazer. Meu pai é um cara que eu venho conversando com ele ao longo do tempo, ele entende como as coisas funcionam agora. Ele é superinteligente, informado, mas não tinha noção de como as coisas funcionavam, de como que o contrato de concessão é feito, de qual é o trabalho da concessionária, de qual é o trabalho do cidadão. Porque não é um trabalho só da concessionária, é concessionária, cidadão, prefeitura, órgãos públicos. Precisa estar todo mundo fazendo sua parte”, finaliza Aline.

Aliás, por falar em finalizar, foi difícil encerrar o bate-papo com mulheres tão inteligentes, capazes e que seduzem pela competência. O que era para ser uma simples entrevista virou uma conversa empoderada de mais de duas horas. Foi uma manhã de aprendizado e algumas conclusões que esta humilde repórter tirou. Como a busca pelo diálogo e entendimento são características consideradas femininas, podemos imaginar (e até sonhar) que os novos capítulos do saneamento básico da área de concessão da Prolagos serão marcados, mais que nunca, por uma construção coletiva, justa e equânime. Um verdadeiro presente de duas cabo-frienses para a amada cidade natal delas, que neste 13 de novembro, completa 410 anos.

Aline Póvoas, Fernanda Carriço e Roberta Moraes (Foto: Mari Ricci)
FacebookWhatsAppTelegramXThreads