A conclusão do inquérito da Polícia Federal que indiciou o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) aprofunda a crise no comando da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e amplia o desgaste político do presidente licenciado da Casa. O relatório aponta Bacellar como suspeito de participar do vazamento de informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho.
Também foram indiciados o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, além de Flávia Júdice Neto, Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado. A defesa de TH Joias negou envolvimento com organização criminosa ou repasse de dados sigilosos. As defesas dos demais citados não haviam se manifestado até a última atualização.
O indiciamento é mais um desdobramento da Operação Unha e Carne, que levou à prisão de Bacellar no dia 3 de dezembro. A investigação sustenta que ele teria repassado informações relacionadas à Operação Zargun, deflagrada em setembro e que resultou na prisão de TH Joias por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, além de suspeitas de negociação de armas para o Comando Vermelho.
Após reação política na Alerj que aprovou por 42 votos a 21 a revogação da prisão de Bacellar, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a soltura do parlamentar, substituindo a detenção por medidas cautelares. Bacellar passou a usar tornozeleira eletrônica, cumprir recolhimento domiciliar noturno, ficou proibido de manter contato com outros investigados, teve passaportes apreendidos, porte de arma suspenso e foi afastado da presidência da Assembleia.
Com o inquérito concluído, o caso segue agora para análise do Ministério Público, que poderá oferecer denúncia à Justiça ou solicitar novas diligências. No campo político, o indiciamento mantém o comando da Alerj em compasso de espera e alimenta disputas internas sobre a sucessão temporária e a reorganização de forças dentro da Casa.


