Direto da Fonte | Ricardo Couto barra recursos de R$ 71,8 milhões destinados à obra em Araruama

Projeto de 730 milhoes do bairro Fazendinha é suspenso

Projeto de drenagem e pavimentação no bairro Fazendinha é suspenso após bloqueio do Fundo Soberano, liberados no fim da gestão de Cláudio Castro (Foto: Bruno Dantas/TJTJ)

A decisão do governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, de suspender a liberação de R$ 730 milhões do Fundo Soberano do Estado impactou diretamente a cidade de Araruama. Entre os projetos barrados está uma obra de R$ 71,8 milhões voltada para drenagem, pavimentação, sinalização e construção de calçadas no bairro Fazendinha, publicada no Diário Oficial do Estado no dia 09 de março de 2026.

O recurso havia sido aprovado em reunião do conselho gestor do fundo no dia 23 de março, poucas horas antes da renúncia do então governador Cláudio Castro. A liberação em caráter emergencial, no chamado “apagar das luzes” da gestão, levantou suspeitas na nova administração, que optou por interromper todos os repasses até uma reavaliação técnica.

Criado em 2022 com recursos dos royalties do petróleo, o Fundo Soberano tem como finalidade financiar projetos estruturantes de médio e longo prazo, especialmente nas áreas de infraestrutura, inovação e desenvolvimento econômico. No entanto, a destinação recente para obras de pavimentação e intervenções urbanas em municípios do interior gerou questionamentos sobre o enquadramento dessas ações dentro das regras originais do fundo.

No caso de Araruama, o projeto previa melhorias urbanísticas em uma das áreas do município, possivelmente como resposta a impactos causados pelas fortes chuvas no início do ano. A suspensão, no entanto, trava o avanço da obra e coloca em incerteza o cronograma de execução.

Ao todo, 16 municípios fluminenses seriam contemplados com recursos divididos entre projetos do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), da Secretaria de Infraestrutura e da Secretaria de Cidades. Esta última, inclusive, teve um repasse de R$ 250 milhões aprovado sem detalhamento específico de aplicação, o que também entrou no radar de revisão do governo interino.

Em nota, Ricardo Couto de Castro afirmou que não foi previamente informado sobre a liberação dos recursos e determinou que, “por ora, não haverá liberação de valores do Fundo Soberano”, até que todos os projetos passem por análise das áreas técnicas. Já o ex-governador Cláudio Castro, se manifestou na rede social X (antigo twitter), defendendo a legalidade da decisão, alegando ainda que os investimentos estavam alinhados à finalidade do fundo e voltados à recuperação de municípios afetados por eventos climáticos, com potencial de impacto no desenvolvimento econômico regional.

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