Tema antigo, a poluição do Rio Una voltou a ser debatida em audiência na Câmara de Búzios nesta quarta-feira (29). O encontro reuniu especialistas, autoridades e representantes do saneamento e do meio ambiente da região para debater o problema da poluição do Rio Una, que não tem causa conhecida. Mas para o ex-secretário de Meio Ambiente de Búzios, Carlos Alberto Muniz, a responsabilidade direta da Prolagos na coloração escura do rio pode ser descartada.
Na audiência, Carlos Alberto resgatou investigações feitas ainda em 2013, quando estava à frente do Meio Ambiente de Búzios e percorreu o curso do rio para identificar uma diferença significativa na coloração da água. Segundo ele, o Rio Una apresentava água mais escura em seu leito principal, enquanto o Canal da Malhada, que atualmente recebe efluentes da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Jardim Esperança, mostrava tonalidade mais clara — indício de que a origem da poluição não estaria ligada ao sistema de esgoto operado pela concessionária.
O ex-secretário atribuiu a principal causa do problema ao uso agrícola do vinhoto produzido pela empresa Agrisa nas proximidades do Rio Una. De acordo com ele, o subproduto é altamente poluente e produzido em grande escala pela usina de álcool e biocombustíveis. Ainda segundo Carlos Alberto, parte desse material é aplicada como fertilizante em plantações de cana-de-açúcar, em uma área cortada por canais de drenagem que deságuam no Rio Una.
“Para cada 1 litro de produção de álcool, são gerados 15 litros de vinhoto”, alertou o ex-secretário, antes de explicar que deve haver um controle sobre essa produção para solucionar o problema. “Por coincidência, a água do Una está igualzinha à do tanque de vinhoto. Tem que ter um plano. Quem produz esse contaminante precisa dizer o que vai fazer com ele”, cobrou.
Ainda na audiência, a explicação do ex-secretário corroborou com as explicações da Prolagos. A executiva institucional da concessionária, Roberta Moraes, destacou que o fenômeno é recorrente e as estações de tratamento operam de forma contínua, o que enfraquece a hipótese de episódios pontuais de descarga de esgoto como causa principal da poluição. Além disso, ela destacou que a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Jardim Esperança — a mais próxima do Rio Una atualmente — está a cerca de 16 quilômetros de distância de onde o problema foi registrado.
Diante da falas do ex-secretário de Meio Ambiente e da representante da concessionária, a Presidente da Comissão de Diretos Ambientais de São Pedro da Aldeia, Dra. Talita Mallmann, afirmou que o caso deveria passar por um estudo para que a causa da poluição do Rio Una fosse encontrada. Ela ainda defendeu a união entre os municípios da região para a solução do caso. “A discussão não pode ser só do meu município.”, finalizou.
O portal Fontecerta.com entrou em contato com a empresa Agrisa para entender mais sobre a produção de vinhodo na região e aguarda retorno. A matéria será atualizada assim que recebermos resposta.

