O carnaval de Cabo Frio amanheceu de luto neste domingo (17) com a morte de Kleber da Silva Costa, conhecido carinhosamente como “Seu Binho”, fundador do tradicional Bloco Parókia. Referência da cultura popular da cidade, ele ajudou a construir a trajetória de uma das agremiações mais emblemáticas da folia cabo-friense, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do município.
Seu Binho foi sepultado na manhã deste domingo (17), no Cemitério Santa Izabel, sob forte comoção. Integrantes do bloco, amigos, familiares e admiradores acompanharam a despedida marcada por aplausos e homenagens. A bandeira do Parókia foi colocada na área da capela durante o velório, simbolizando a ligação histórica entre o fundador e a agremiação.
Em publicação nas redes sociais, o Bloco Parókia lamentou a perda do fundador. “Sempre presente, seu Binho participou ativamente dos últimos carnavais do Parókia. Nossos sinceros sentimentos aos familiares e amigos do seu Binho, que deixará saudades eternas. Descanse em paz, querido e eterno parokiano”, escreveu a organização.
Fundado em 1970, o Parókia atravessou gerações e se consolidou como um dos símbolos do carnaval de rua de Cabo Frio. As primeiras concentrações aconteciam na Rua Rui Barbosa, no Centro, na casa da mãe de Jessé Menezes Corrêa, um dos fundadores e responsável pela formação da banda do bloco. Na época, os foliões usavam as cores preta e amarela e participavam das tradicionais danças cercados por cordas.
A ligação do bloco com a Rua Jorge Lóssio também nasceu da trajetória de Seu Binho. O antigo “Bar do Binho” era ponto de encontro de músicos, boêmios e foliões dos antigos carnavais da cidade. Após o fechamento do espaço, a concentração passou para a casa de Jessé, mantendo viva a tradição até os dias atuais.

Atual presidente do bloco e primeira mulher a comandar a agremiação, Fernanda Carriço destacou a relação de amizade construída com Seu Binho ao longo dos últimos anos. “Seu Binho foi muito querido, me recebeu muito bem. Há quatro anos eu faço o Carnaval do Parókia e desde então ele virou um grande amigo e me incentivou sempre. Todos os anos eu fazia questão de homenagear ele. A gente parava em frente à casa dele, tocava para ele. Era sempre um momento muito alegre”, afirmou.
Fernanda também relembrou a comemoração do aniversário do fundador neste ano. “Seu Binho foi um grande homem, um grande incentivador da cultura, um grande músico. Eu só tenho a agradecer o carinho e a amizade que ele teve comigo”, completou.
Nas redes sociais, Debora Machado, filha de Seu Binho, também publicou uma homenagem emocionada ao pai, destacando o legado deixado por ele para a família e para o carnaval cabo-friense. “Pai, você me escolheu para ser sua filha e dedicou a maior parte do tempo em educar e ensinar. Sua música entrou no meu DNA e em tudo que faço. Prometo que farei do Parókia o que você sempre levou: o amor”, escreveu.


