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Atividade física ao ar livre: o que pode o que não pode em tempos de isolamento social

Grupo de canoagem que segue praticando atividades na Lagoa de Araruama diz que o exercício faz bem; especialistas argumentam que é hora de ficar em casa

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Em tempos de isolamento social em virtude da pandemia do novo coronavírus, uma dúvida é recorrente: é prudente realizar atividades físicas ao ar livre? Nesta semana, um grupo de canoagem havaiana foi fotografado realizando atividades na Lagoa de Araruama, em Iguaba Grande. Segundo os organizadores, a atividade não coloca ninguém em risco e faz bem para os frequentadores. Por outro lado, especialistas indicam que neste momento todos que puderem devem ficarem em casa. E isso significa todos, já que não há remédio para a nova doença e apenas o distanciamento pode frear a propagação.  

A equipe do Fonte Certa conversou com os organizadores de um grupo de canoagem fotografado nesta semana realizando atividades em Iguaba Grande. Eles pediram para não terem os nomes divulgados, mas disseram que a prática do esporte está respeitando todas orientações no combate à Covid-19.

“Não é um lugar confinado, as pessoas não respiram o mesmo ar como em uma academia, por exemplo. No nosso caso, o material utilizado é o remo e o colete, e 90% das pessoas já possuem o seu próprio colete e seu próprio remo. Então poucas pessoas usam o remo coletivo. Para que as pessoas executem a prática, o que foi pedido para nós é que todos fizéssemos o uso de máscaras e para que disponibilizássemos o álcool em gel. E outra coisa, a canoa possui 6 lugares com um distanciamento de 1,20 metro de cada banco. Então se estamos funcionando é porque nós estamos enquadrados dentro da regra de segurança. E houve uma permissão para isso”, disse um dos organizadores, admitindo que a permissão que teria sido concedida é informal.

A Prefeitura de Iguaba Grande, no entanto, disse por meio de nota que o município tem reforçado a fiscalização através da Guarda Municipal para coibir essas e outras práticas, e que estuda medidas mais enérgicas contra quem descumprir o isolamento social.

Ainda de acordo com um dos responsáveis, um dos objetivos da prática da atividade durante a pandemia da Covid-19 é combater a depressão causada pelo isolamento social.

“O que estamos fazendo aqui é um trabalho de terapia. As pessoas estão passando por depressão, estão precisando fazer esse tipo de trabalho. Não existe possibilidade nenhuma de dizer que a canoa está fazendo mal, de querer dizer que a canoa está fazendo aglomeração ou está contra o acordo da Covid-19”, afirma ainda.

Mas, para o treinador esportivo Rodrigo Tavares, uma atividade física coletiva não é adequada neste momento.

“Em qualquer atividade de esforço, a respiração acaba ficando mais ofegante, o que faz com que precise de mais oxigênio durante a atividade física. Desta forma, acaba impulsionando mais ar para fora do corpo e acaba, na verdade, podendo jogar partículas mais para frente. Então realmente não seria uma atividade, nesse momento, que seria adequada”, considera o professor.

Ainda de acordo com o Rodrigo, as pessoas podem continuar fazendo suas atividades físicas em casa.

“As atividades podem continuar ocorrendo de uma forma que as pessoas estejam sendo protegidas e de uma forma segura, e continuar fazendo uma atividade física em casa como a própria canoagem mesmo, com um elástico para ajudar a simular a remada dentro de casa. Dá para treinar, diversificar a atividade física, pegar um balde d’água e fazer uma atividade que vai trabalhar o grupo muscular que trabalha na canoagem e aí é usar a criatividade. Mostrando para eles que nesse momento isso é necessário para a gente estar passando por esse período”, afirma ele.  

Para o médico Luiz Carlos Brito de Alcântara, qualquer atividade coletiva precisa ser muito bem monitorada.

“Na minha opinião, essa aula tem que ser individualizada, pois essas pessoas elas têm as suas diversidades, as suas doenças prévias. Então se nesse grupo você tem um hipertenso, um diabético, um obeso alguém com alguma doença que possa comprometer a parte respiratória, a possibilidade dessa pessoa acabar tendo algum tipo de contato com alguém que pode ser portadora assintomática e desenvolver a doença poderá acontecer. Porque esse afastamento não vai poder ser mantido o tempo todo, mas eu penso que a ideia ela é muito boa, mas tem que ser melhorada. Talvez essa aula de canoagem tivesse que ser individualizada. Qualquer atividade coletiva ela teria que ser extremamente monitorada”, considera ele.

Em Iguaba Grande, a Prefeitura vem decretando medidas de prevenção e combate ao Covid-19 (coronavírus). No dia 22 de março, passou a valer o Decreto 1.887/2020 onde fica proibida a permanência de pessoas na faixa de areia da orla da laguna de Araruama e praças públicas do município de Iguaba Grande. 

No mesmo decreto ainda diz que o descumprimento de qualquer das normas previstas será considerado infração e importará na aplicação de penas previstas para crimes dispostos nos artigos 268 e 330 do Código Penal como detenção de até um ano e multa.

Até quinta-feira (14), a Secretaria de Saúde informou que o município de Iguaba Grande tinha 45 casos confirmados de coronavírus, 16 casos suspeitos, quatro pacientes estão em isolamento hospitalar, seis óbitos por Covid-19 confirmado, dois óbitos suspeitos em investigação e 15 pacientes já estão recuperados da doença.

*Estagiária, sob supervisão de Tomás Baggio

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