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Biólogos advertem sobre risco de alimentar gaivotas e pombos nas praias da região

A gaivota, por exemplo, está lá para mostrar ao pescador onde estão os cardumes e é de sua natureza caçar. Ao mudarmos isso, acabamos atrapalhando o próprio ciclo natural da pesca

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Aproximando o período da alta temporada, que já começa neste mês de novembro e segue até meados do mês de março nas cidades litorâneas de todo o Brasil, em especial na Região dos Lagos, torna-se muito mais frequente o número de pessoas em busca de selfies à beira mar. E uma perigosa mania virou moda de uns tempos pra cá: segurar petiscos acima da cabeça para fazer fotos com gaivotas.

Há exatamente um ano, um site da região noticiava o ataque de uma gaivota a uma mesa com petiscos no momento em que o turista saiu para dar o mergulho, na Praia do Peró, em Cabo Frio. É comum ouvir relatos de ataques a pessoas, principalmente idosos e crianças que estejam distraidamente comendo nas barracas de praia, cadeiras de banho de sol e até deitadas em cangas na areia e que segundo os especialistas deve ser abandonado.

“Gaivota não come batata frita. Não faz parte da alimentação dela. Alimentá-las pode ser um hábito perigoso. A gaivota, por exemplo, está lá para mostrar ao pescador onde estão os cardumes e é de sua natureza caçar. Ao mudarmos isso, acabamos atrapalhando o próprio ciclo natural da pesca. Nós precisamos que as pessoas tenham consciência disso, e mudem os seus hábitos, porque no fim, a natureza sempre cobra um preço”, disse o presidente da Associação da Reserva Extrativista Marinha de Arraial do Cabo, Eraldo Cunha.

Bióloga marinha, professora e pesquisadora da Universidade Santa Úrsula, Natalie Meurer, disse na ocasião do caso da Praia do Peró que ataques similares de gaivotas já foram registrados em outros pontos da orla do Estado do Rio de Janeiro, como na Baía de Sepetiba. “O ato de dar batata frita e outros alimentos para as gaivotas pode ser divertido, mas se elas estiverem na fase de reprodução vão levar os alimentos de baixo valor nutricional para os filhotes, e é bem provável que eles nem cheguem à idade juvenil”, alerta a bióloga.

Isso, segundo os especialistas, também cria um costume perigoso, já que as gaivotas são “generalistas” e se acostumam a comer qualquer tipo de coisa, incluindo aí batata frita, salgadinhos e pedaços de peixe frito – justamente o que normalmente as pessoas oferecem de “gorjeta” em troca do click com a ave. O que faz com que elas cada vez mais se concentrem em trechos mais movimentados das praias, na busca de alimento fácil.

“Isso pode não acabar bem. Com alimentação errada abundante, o problema só tende a se agravar. As gaivotas se alimentam de peixes, mas vão se sentir confiantes com a comida fácil, não vão mais sair dali e começarão a atacar as crianças”, advertiu o biólogo Paulo Bidegain. Ele mesmo recorda o dia em que uma gaivota atacou a filha quando ela comia batata frita numa praça próxima aos lagos, no Centro de Toronto, no Canadá.

O presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (em Portugal), Henrique Barros, considera que a ocorrência de gaivotas em regiões praianas e zonas portuárias é sim um “problema de saúde pública”. A mudança de hábito no ciclo de vida das gaivotas, e principalmente o convívio delas com outras espécies que buscam alimentos nas praias, como os pombos, pode causar outro problema, ainda mais grave.

“O que nós sabemos hoje em dia, isso é muito claro, é que quando mexemos nos equilíbrios ecológicos criamos problemas, e ao fazer essa mudança, criam-se condições para que possa ser introduzido, ou que circule, um agente que nós não estávamos à espera. É possível que havendo um grande desequilíbrio ecológico – por conta de uma mudança radical forçada nos hábitos dessas aves – se deem condições para que as gaivotas possam se tornar portadores de agentes infecciosos.

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