Início Araruama FonteCerta Explica- Engajamento político: qual a importância dos movimentos estudantis?

FonteCerta Explica- Engajamento político: qual a importância dos movimentos estudantis?

Interesse do jovem pela política pode começar nos movimentos. Ex-integrante da União dos Estudantes de Araruama conta sobre as ações do grupo

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Para alguns jovens, política é um assunto chato, complicado, no qual preferem manter distância. Já para outros é motivo de discussões acaloradas, debates e ativismo. Diversas pesquisas realizadas pelo país mostram que o público jovem anda mais interessado nessa questão. Contudo, não há apego a políticos e partidos, mas sim, a ideologias e a uma grande participação em grupos ativos, principalmente, em redes sociais.

De acordo com a pesquisa “O Jovem Brasileiro e o Futuro do País”, a mais recente, realizada em 2015 pelo Núcleo de Tendências e Pesquisa da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS (Famecos), 47,4% dos 1,7 mil jovens entrevistados, de todas as regiões do país, com idade entre 18 e 34 anos, afirmaram que buscam por informações políticas e mais de 70% buscam se informar diariamente sobre o assunto.

Em entrevista ao portal da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), o coordenador da pesquisa, Ilton Teitelbaum, afirma que a grande crise política que explodiu no país, em 2013, foi um dos fatores responsáveis para despertar este tipo de interesse no público jovem. Os dados apontam que a tendência à esquerda política soma 46,59% da amostra, enquanto a preferência pela direita chega a 15,76%. No entanto, Teitelbaum acredita que existe um envolvimento maior em âmbito virtual do que propriamente em manifestações nas ruas.

O município de Araruama, na Região dos Lagos, conta com apenas um movimento estudantil. A União dos Estudantes de Araruama foi criada em 2001 e reorganizada em 2008. O movimento ajudou a instituir e consolidar grêmios estudantis em diversas escolas do município; participa de ações para representar o público jovem em eventos do circuito estudantil nacional como União Nacional dos Estudantes (UNE) e União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). Além disso, também cooperou na criação das Uniões Municipais de estudantes de todas as cidades da Região dos Lagos, Maricá e Rio Bonito, e atua ativamente nas conferencias de âmbito Municipal, Estadual e Nacional de Juventude.

Em 2016, mais de 1100 escolas de todo o país foram ocupadas por Movimentos Estudantis diante o descaso do Governo quanto ao Sistema Educacional e a estrutura das escolas. Em Araruama o pontapé foi dado por alunos da Escola Estadual Edmundo Silva, quando, após um alagamento, a escola ficou lotada de lama tóxica por cerca de duas semanas e o governo não permitiu a ajuda dos alunos na restauração do ambiente educacional. Nathália Terra, hoje estudante de Direito, conta como foi esse processo.

“A gente fez uma pauta dos nossos problemas estruturais e esses problemas particulares do Edmundo Silva e começou a debater entre esse grupo e de outras escolas que já estavam passando por esse processo. Então a FAETEC em Bacaxá ocupou, logo depois o Paranhos, em Iguaba, ocupou, e o Edmundo entendeu que estava na hora de uma mudança séria no sistema educacional”, relata.

Logo após, os alunos se organizaram e distribuíram panfletos na escola sobre uma assembleia geral, a fim de discutir os problemas da escola, que juntou cerca de 100 alunos, dando início ao processo de ocupação, decido por votação unânime. Nathalia também conta que, inicialmente, a direção queria que a ocupação ocorresse somente no pátio da escola, mas após negociação, as chaves foram disponibilizadas com a condição do freezer permanecer trancado, o que acarretou na perda de mais de 30kg de carne que apodreceram.

Dentro desse meio de militância estudantil, o que mais marcou Nathália foi uma visita a uma escola ocupada na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, que foi invadida por um grupo contrário. “Tinha um menino que estava com traumatismo craniano grave, tinha gente com o braço quebrado. Foi uma cena de guerra mesmo, a escola toda destruída pelo pessoal que invadiu, bem triste”, conta.

Segundo Nathalia, o processo de ocupação na Escola Estadual Edmundo Silva foi importante socialmente e estruturalmente, pois conseguiram a realização de vários projetos pautados, e a participação dos jovens com a escola aumentou consideravelmente. A ocupação também influênciou na criação do grêmio estudantil do colégio, além disso, também foi implementada a gestão escolar popular com a criação de um plebiscito para eleger os membros da direção.

*Matéria escrita por Matheus Cossatis e Rayane Dias do Curso de Jornalismo. Universidade Veiga de Almeida (Campus Cabo Frio). Supervisão: Profª Mônica Sousa*

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