Lagoa de Araruama será exemplo de revitalização em conferência da GLOCAL Experience no Rio

Evento trará diversos líderes para debater as medidas de fomento dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

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Evento trará diversos líderes para debater as medidas de fomento dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Foto: Divulgação/ Internet

A Baía de Guanabara é um importante ecossistema do Rio de Janeiro que sofre constantemente com despejo de efluentes irregular. Diante deste problema, o tema “Baías e lagoas de todos nós” será debatido, nesta quinta-feira (14), na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, na Conferência da GLOCAL Experience, onde a Lagoa de Araruama será exemplo de projeto de recuperação de corpos hídricos.

O evento trará diversos líderes para debater as medidas de fomento das 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), um apelo global da ONU para o mundo até 2030, proporcionando ao público ambientes interativos, debates, workshops, atividades imersivas, oficinas, cinema, área de exposição, gastronomia sustentável e muito mais.

O espaço de discussão sobre baías e lagoas contará com a presença do biólogo, ambientalista e professor de engenharia ambiental da Universidade Veiga de Almeida de Cabo Frio, Eduardo Pimenta, coordenador do Projeto Imersão, que monitora a qualidade da água da Lagoa de Araruama desde 2021.

“Nesses últimos dois anos, a Lagoa de Araruama tem se mostrado em plena recuperação, em pleno processo de melhoria das condições de balneabilidade. Isso reflete diretamente na produção pesqueira, nas atividades náuticas, esportivas e no turismo de forma benéfica”, afirma Pimenta, mas alerta para melhoria no tratamento de esgoto. “Percebemos que os índices, principalmente de fósforo, ainda estão muito elevados, o que sugere que possa ser melhorado a eficiência das estações de tratamento de esgoto ao nível terciário”, disse.

A maior laguna hipersalina em estado permanente do mundo sofreu um colapso em 1999, ficando totalmente eutrofizada, ou seja, houve o aumento da matéria orgânica e a diminuição dos níveis de oxigênio dissolvido na água, impedindo a sobrevivência de várias espécies de animais e plantas, causado pelo descarte irregular de esgoto in natura.

Os impactos provocados pela degradação ambiental naquela época são lembrados pela secretária executiva do Consórcio Intermunicipal Lagos São João, órgão que atua pela proteção da Lagoa de Araruama.

“A Lagoa deixou de ser cristalina e virou verde musgo devido às microalgas que se estabeleceram na massa de água”, conta Adriana Saad, explicando que as algas surgiram por causa do lançamento de esgoto bruto, gerando uma grande mancha negra que nunca mais saiu da laguna.

Em 2002, o estado de saúde do principal ponto turístico de municípios como Araruama, Iguaba Grande e São Pedro da Aldeia era precária, afetando o turismo, a pesca e o comércio local. Em certos pontos, havia a transmissão de hepatite. As regiões banhadas pela Lagoa de Araruama tiveram os imóveis desvalorizados e os pescadores precisaram mudar para subempregos.

Os turistas decidiram ir para praias oceânicas em vez de ficar nos municípios cercados pela Lagoa de Araruama, contribuindo para o aumento de visitantes em Arraial do Cabo, Búzios e Cabo Frio. “Esses locais ficaram estupidamente cheios com várias construções irregulares, invasão, praias super lotadas, turismo de baixa qualidade e degradação ambiental”, lembra Saad.

A pressão da sociedade civil organizada para revitalizar a laguna fez com que medidas fossem tomadas, como a mudança do sistema de coleta de esgoto adotado na região. Inicialmente, os contratos de concessão previam o modelo separador absoluto, com a construção de redes coletoras a partir do décimo ano de concessão. Para antecipar os investimentos e acelerar os resultados, foi adotado o modelo de coleta em tempo seco, que desvia o esgoto que corre pela drenagem pluvial por meio de coletores e encaminha para as estações de tratamento. O sistema, que já era usado na Europa, foi fundamental para a recuperação da laguna. Hoje, 80% do esgoto é coletado e 100% do esgoto coletado é tratado, segundo dados da Prolagos, concessionária responsável pela distribuição de água potável e tratamento de efluentes da Região dos Lagos.

“Como operadores do saneamento, nossa meta é levar mais saúde, qualidade de vida e desenvolvimento para os municípios onde atuamos. Nos próximos cinco anos, serão feitos investimentos para universalizar o acesso à água tratada e, principalmente, ampliar a coleta de esgoto com a implantação de redes separativas. Além disso, já neste mês, será iniciada a última fase da construção de um cinturão no entorno da Lagoa de Araruama, protegendo ainda mais este importante ecossistema”, explica Pedro Freitas, diretor presidente da Prolagos.

Outra medida recente que vai ajudar a melhorar a balneabilidade e a renovação de água na Lagoa de Araruama é a obra de dragagem, lançado pelo governo estadual, no Canal do Itajuru, único ponto de ligação da laguna com o mar. A previsão de término das obras é até janeiro de 2023. O custo do procedimento será cerca de R$ 22 milhões, com recursos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam).

As medidas adotadas para salvar a Lagoa de Araruama poderão servir de exemplo para salvar a Baía de Guanabara, sendo debatido na conferência da GLOCAL Experience que também contará com a presença de Jeremy Dawkins, professor de gestão urbana da Universidade de Camberra (Austrália), Nicola Cotugno, líder do processo de transição energética para modelo mais sustentável da Enel Brasil, Alaildo Malafaia, condutor de ecoturismo e presidente da Cooperativa Manguezal Fluminense. A mesa será mediada pela jornalista do O Globo Ana Lucia Azevedo.

O evento presencial é gratuito, mas também poderá ser acompanhado a conferência pelo site da GLOCAL Experience, na quinta (14), às 16h30.

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