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Livro “Revolta do Cachimbo – a luta pela terra no Quilombo da Caveira” será lançado na próxima terça-feira (22) no Mart, em Cabo Frio

Baseada na tese de doutorado da professora e escritora Gessiane Nazario, a obra faz uma ampla contextualização histórica da questão agrária e joga luz a passagens pouco contadas pela historiografia oficial

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Um evento aparentemente prosaico – a proibição do ato de fumar cachimbo aos trabalhadores rurais da região da Fazenda Campos Novos, na década de 1950, pelo então proprietário, o italiano Antonio Paterno Castelo, o Marquês – desencadeou um dos maiores atos de resistência da história da Região dos Lagos. O episódio batiza o livro “Revolta do Cachimbo — a luta pela terra no Quilombo da Caveira”, da professora e escritora Gessiane Nazario. Publicada pela Sophia Editora, a obra tem lançamento marcado para a próxima terça-feira (22), a partir das 18h, no Museu de Arte Religiosa e Tradicional (Mart), em Cabo Frio — antigo Convento. A entrada é aberta ao público.

Livro é baseado em tese de doutorado

Isoladamente, os acontecimentos que resultaram na rebelião dos quilombolas da Caveira denotaram a opressão pela qual sofriam, apenas pelo direito de existir por meio das suas tradições e cultura, mas, de modo geral, acenam para uma questão maior, que permeia toda obra: os conflitos fundiários.  Baseada na tese de doutorado programa de pós-graduação em Educação da UFRJ, a obra faz uma ampla contextualização histórica da questão agrária e joga luz a passagens pouco contadas pela historiografia oficial.

A autora traça um cenário completo, do ponto de vista econômico e social de um período de mais de 60 anos, desde a compra de Campos Novos pelo industrial Eugênio Honold até as consequências da Constituição Federal de 1988, já dentro do contexto de ressignificação da luta quilombola, em termos de busca por direitos da população negra descendente de escravizados.

Movimentos sociais

O processo de articulação sindical e dos movimentos sociais, à medida que os latifundiários avançavam na posse da terra, apoiados pela máquina estatal de repressão durante a ditadura, também é descrito pela autora de forma minuciosa, também graças aos inúmeros depoimentos de moradores de Botafogo-Caveira que vivenciaram intensamente o momento retratado na obra.

Nessa questão em particular, reside o que talvez seja o maior mérito da obra, talhada por depoimentos profundos de quem sofreu na pele a perseguição empreendida pela indústria da grilagem de terras, agressão intensificada pela deliberada tentativa de silenciamento da história dos movimentos de resistência; amarras as quais a autora contribui para romper nas páginas de seu livro.

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