Nesta quarta-feira (10), seis pessoas foram acolhidas na Casa de Passagem, em Cabo Frio, a partir de ações conjuntas com a Secretaria de Assistência Social e a Polícia Militar, que  intensificaram as operações de apoio ao acolhimento de pessoas em situação de rua no município. O intuito da ação é fortalecer a rede de proteção social na região. 

As ações se concentraram em locais de grande circulação de pessoas, como a Praça das Águas, Praça Porto Rocha, Praça da Bandeira, adjacências do Teatro Municipal, Igreja de São Bento, Rodoviária e Passagem. A Casa de Passagem oferece alimentação, higiene pessoal e acesso a serviços básicos, como documentação e saúde para os acolhidos, além de acompanhamento psicossocial, orientação profissional e auxílio na busca por moradia e emprego. 

Durante a abordagem, cerca de 15 pessoas em situação de rua foram contatadas e orientadas sobre os serviços disponíveis na Casa de Passagem. O objetivo principal dessa ação é garantir a segurança e o bem-estar das pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade social.

Coletivo Abrace transforma vidas

Fundado em meio à pandemia, o Coletivo Abrace se tornou um farol de esperança para muitas pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social em Cabo Frio. A iniciativa surgiu em 2020, quando um grupo de pessoas, preocupadas com o impacto do isolamento social sobre os mais necessitados, decidiu agir. Paula Borges, uma das fundadoras e cozinheira voluntária do projeto que leva alimentação para quem precisa, conta que a trajetória dessa ação carrega situações emocionantes e desafiadoras. 

Coletivo Abrace foi fundado por voluntários em 2020. Foto: Redes sociais Coletivo Abrace.

A cada sexta-feira, cerca de 170 a 200 refeições são distribuídas em três pontos estratégicos de Cabo Frio, que inclui o Centro da cidade, a rodoviária e o bairro São Cristóvão. Paula destaca que o objetivo da ação vai mais afundo do que só a alimentação, a ideia é ajudar essas pessoas a saírem da rua e construírem uma vida mais digna.

“Porque não é só fome que a pessoa sente, tem outras necessidades também. Tem a necessidade de voltar para o mercado de trabalho, ter o seu cantinho, porque ninguém gosta de morar na rua, ninguém gosta de ficar no relento, na chuva, no sol, ninguém gosta disso”, comentou Paula.

A voluntária lembra ainda que a ação busca levar alimentação também para os animais de estimação dos moradores em situação de rua, em sua maioria cães, que também recebem doações de ração. 

Mesmo com o fim da pandemia, o número de pessoas nas ruas ou em vulnerabilidade não diminuiu, pelo contrário. 

“Aumentou muito o número de pessoas na rua. Não só os que estão na rua literalmente, mas os que estão em uma situação de vulnerabilidade muito grande. Que tem até as casas, mas não tem nem luz elétrica, não tem comida. São situações bem complicadas. Então, essas pessoas aumentaram muito, muito, muito. A gente começou fazendo 40 refeições, hoje chegamos a quase 200”, disse. 

Essa realidade contrasta com outra questão que a cozinheira voluntária do projeto também destaca, que é a falta de donativos. Segundo Paula, há mais ou menos um ano, o projeto vem recebendo poucas doeações, o que vai de encontro com a alta demanda por auxílio. 

A realidade do que o coletivo tem passado é exemplificada por Paula quando ela afirma que com a chegada do inverno o projeto costuma realizar algumas campanhas para arrecadar agasalhos e cobertores, mas até essas doações diminuíram. 

“A gente está com uma campanha agora, para você ter uma ideia, a gente tem 20 cobertores para entregar, coisa que a gente já chegou a ter quase 100”, explicou. 

Apesar da missão nobre, Paula aponta que os desafios para seguir com o projeto são semanais, pois a ação conta exclusivamente com doações e voluntários. Assim, ela revela que o custo semanal para a confecção das marmitas gira em torno de R$700 a R$800, o que torna “Cada semana um desafio para conseguir os recursos necessários”. 

Porém, a cozinheira voluntária afirma que não deixaria de realizar as ações que o coletivo promove, pois é gratificante ver a felicidade dos beneficiados. 

Parcerias e necessidades

O Projeto Abrace conta com algumas parcerias privadas, como um mercado e restaurantes de Cabo Frio que doam alimentos. Além disso, tem ainda o apoio estrutural da Igreja de São Jorge, que disponibiliza a cozinha e a copa do local para que os voluntários possam cozinhar e montar as marmitas. Porém, Paula ressalta que a ausência de apoio público é outro grande desafio para a ação. Segundo ela, para ajudar a reverter essa realidade, o projeto está tentando entrar em editais para conseguir mais recursos e reforçar a ajuda financeira para continuar o trabalho.

História de transformação

Paula compartilhou uma história de superação de um homem que, após receber apoio do Coletivo Abrace, atualmente tem sua casa. Segundo ela, ele retorna todas as semanas para ajudar como voluntário do coletivo. Ela destaca que o projeto não apenas transforma a vida dos assistidos, mas também a de quem se envolve como voluntário.

“Minha vida melhorou um milhão por cento depois que comecei a fazer parte do projeto,” afirmou Paula, emocionada. 

Para atuar como voluntária no Coletivo Abrace, a pessoa deve entrar em contato com as organizadoras da ação por meio do Instagram @coletivo.abrace e deixar uma mensagem indicando interesse em ajudar fisicamente ou financeiramente. 

Outra ação de solidariedade

Além das ações dos órgãos públicos e do Coletivo Abrace, a Paróquia de Nossa Senhora da Assunção, da qual a Capela de São Benedito faz parte, também presta diversos serviços sociais para pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social. 

“Dentre eles, estão a distribuição de 220 cestas básicas a famílias cadastradas no projeto social da Paróquia, atendimento psicológico com profissionais da área da saúde para pessoas carentes, o atendimento social a mulheres grávidas, etc”, disse o padre da Capela de São Benedito, Marcelo Chelles. 

Somado a isso, o padre afirma que são realizadas ainda campanhas de doação de agasalhos e cobertores para moradores em situação de rua.

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