O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi alvo de ação da Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (25). A Operação Vigilância Aproximada investiga organização criminosa que teria se instalado na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) com o intuito de monitorar ilegalmente autoridades públicas e outras pessoas. Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), Ramagem foi diretor da Abin.
Ao todo, a operação cumpre 21 mandados de busca e apreensão. Entre eles, há um para o gabinete do parlamentar e para o apartamento funcional da Câmara que ele ocupa. Além disso, a PF também esteve em uma residência de Ramagem na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio.
Pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, Ramagem é delegado de Polícia Federal. Ele foi chefe de segurança de Bolsonaro e chegou a ser nomeado diretor-geral da PF. No entanto, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou a nomeação. Isso porque Bolsonaro chamou Ramagem para o cargo logo após a denúncia do então Ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro de que o ex-presidente tentava interferir na PF.
Operação Vigilância Aproximada
De acordo com a Polícia Federal, os suspeitos monitoravam ilegalmente autoridades públicas e outras pessoas. Para isso, se utilizavam de ferramentas de geolocalização de dispositivos móveis sem autorização judicial.
Em nota, a PF informou que cumpre os 21 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares. Entre elas, a suspensão imediata do exercício das funções públicas de sete policiais federais. Ao todo, são 18 diligências de busca e apreensão. A maioria em Brasília, mas também há uma em Juiz de Fora (MG), uma em São João Del Rei (MG) e uma no Rio de Janeiro.
A ação é uma continuação das investigações da Operação Última Milha, que a PF iniciou em outubro do ano passado. As provas que a corporação obteve à época indicam que o grupo criou uma estrutura paralela na Abin e utilizou ferramentas do Estado para produzir informações para uso político e midiático, “para a obtenção de proveitos pessoais e até mesmo para interferir em investigações da Polícia Federal”.
A PF informou que os suspeitos podem responder pelo crime de invasão de dispositivo informático alheio. Organização criminosa e interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei são outros crimes que a Polícia Federal apontou.


