Criminosos têm utilizado informações reais de processos judiciais para aplicar golpes em clientes no estado do Rio de Janeiro. A prática, que vem se tornando cada vez mais comum, já soma 1.649 denúncias registradas entre janeiro de 2025 e 6 de abril de 2026, segundo a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Rio de Janeiro.
O esquema começa com o acesso a dados públicos da Justiça. De posse dessas informações, os golpistas criam perfis falsos em aplicativos de mensagem, utilizando nome, foto e até o número de registro de advogados reais para dar credibilidade à abordagem.
Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, relatou que quase caiu no golpe após três anos aguardando a conclusão de um processo judicial. “Em dezembor recebi uma mensagem com a foto do meu advogado, tudo certo, igualzinho. Na hora, a gente não desconfia, porque acha que finalmente o processo vai acabar e que você irá virar aquela página”, contou.

Segundo ele, após o primeiro contato, o golpista mudou a abordagem e passou a se apresentar como um suposto representante do tribunal de Justiça, alegando que seriam necessários alguns dados para liberar o pagamento da indenização. “Ele começou a pedir informações pessoais, dizendo que era para agilizar o depósito. Depois, pediu para eu espelhar a tela do celular. Foi aí que comecei a desconfiar”, relatou.
A confirmação de que se tratava de um golpe veio quando o criminoso solicitou um depósito com o valor disponível na conta da vítima. “Quando ele pediu para transferir o dinheiro que me dei conta realmente do que se tratava. A gente é tomado pela emoção e acaba não tendo muita noção na hora”, disse.
A presidente da OAB-RJ, Ana Tereza Basílio, reforça que esse tipo de fraude se aproveita justamente da expectativa das vítimas. “Os golpistas exploram a ansiedade de quem aguarda uma decisão judicial. Por isso, é fundamental desconfiar de qualquer contato inesperado, principalmente quando envolve pedidos de dinheiro ou informações sensíveis”, alerta.
Como se proteger
- Confirme o contato: fale diretamente com seu advogado pelos canais oficiais;
- Desconfie de pedidos de dinheiro: advogados não solicitam depósitos para liberação de valores judiciais;
- Não compartilhe dados pessoais: especialmente por aplicativos de mensagem;
- Nunca permita acesso remoto ao celular: como espelhamento de tela ou instalação de aplicativos;
- Procure orientação oficial: em caso de dúvida, entre em contato com o escritório ou com a OAB.
A Polícia Civil informou que investiga os casos e reforça a importância de registrar ocorrência para ajudar na identificação dos criminosos.



