A doméstica Maria Aparecida, moradora de São Pedro da Aldeia, enfrenta há dias um drama que escancara a precariedade do atendimento emergencial no município. Com fortes dores abdominais, ela procurou atendimento no Pronto-Socorro da cidade, mas recebeu apenas medicamentos para dor e foi mandada de volta para casa, sem realizar exames e sem qualquer encaminhamento.
A situação só começou a ser esclarecida depois que uma amiga decidiu pagar uma consulta particular e uma ultrassonografia. O exame revelou a presença de líquido no abdômen, o que pode indicar uma infecção grave, possivelmente causada por um apêndice já perfurado.
Mesmo com o exame em mãos e com fortes dores, ao retornar ao Pronto-Socorro de São Pedro da Aldeia, a médica que atendeu a paciente confirmou a suspeita de apendicite, mas explicou que a tomografia necessária não é feita no local e que seria preciso aguardar. Enquanto isso, a orientação foi apenas o uso de medicamentos para dor.
“Ela está com pus na barriga, e eles só dão remédio e mandam pra casa. Se não tivéssemos pago o exame, nem saberíamos da gravidade. Ela mora em São Pedro e ninguém faz nada. Estou apavorada”, desabafou Rosane, que acompanha a paciente desde o início da crise.
Falta ambulâncias no atendimento
O caso expõe um problema ainda mais profundo que é ausência de ambulâncias operantes, mesmo com veículos disponíveis. O município tem duas ambulâncias doadas pelo governo do Estado, dentro do projeto de implantação do Samu, mas os veículos estão parados há dois anos no estacionamento da Prefeitura, sem utilização. Todos os municípios da região utilizam o serviço, menos São Pedro da Aldeia.
Procurada pela nossa reportagem, a prefeitura de São Pedro da Aldeia informou que a paciente foi encaminhada para o Hospital Estadual Roberto Chabo (HERC), onde realizou o exame de TC de abdômen. Após avalição médica no local, foi constatada a necessidade de internação.
A prefeitura informou ainda que o município segue protocolos em situações de emergência quando há suspeita diagnóstica levantada por profissional de saúde, como ocorreu neste caso.


