Pescadores de cinco comunidades da Região dos Lagos estão nas águas da Laguna de Araruama desde o início da semana realizando um mutirão ambiental que une tradição, sobrevivência e cuidado com o ecossistema. A ação, batizada de Mobilização Ambiental e Social do Pescador (MASP), está removendo algas ainda vivas antes que elas se desloquem até a margem e iniciem o processo de decomposição, o que costuma gerar lama, mau cheiro e prejuízos para o dia a dia de quem vive da pesca.
A frente de trabalho está concentrada nas regiões de Camerum, Mossoró, Boqueirão e Baixo Grande, em São Pedro da Aldeia, além da Praia do Siqueira, em Cabo Frio, locais onde a água tem pouca renovação natural e o acúmulo de matéria orgânica se torna mais intenso.
Só nos três primeiros dias desta nova fase da operação, foram retiradas cerca de 36 toneladas de algas. E o trabalho continua. No total, 262 pescadores participam ativamente da mobilização: 240 em embarcações, 15 a partir de píeres espalhados pela orla e seis atuando na coordenação de campo, com apoio de um coordenador geral.
“Hoje ficou provado que essa ação ajuda bastante. A ideia é tirar as algas vivas, que são justamente as que vão morrer e depois parar na beira da praia. Com isso, a gente também limpa a área onde o pescador trabalha”, afirma Roni Ribeiro, diretor da Associação de Pescadores Artesanais da Lagoa de Araruama (APAGPLA). Ele reforça que mais ações como essa precisam ser realizadas de forma contínua.
Essa é a segunda etapa da iniciativa, que entre março e abril já havia retirado 108 toneladas de algas vivas. O planejamento das atividades foi feito com base em critérios legais e ambientais, incluindo licenciamento e plano de trabalho. Os pescadores receberam kits com camisa, boné, protetor solar e apoio com combustível para os barcos.
A ideia nasceu a partir de debates no Comitê de Bacia Lagos São João e ganhou forma por meio do Consórcio Intermunicipal Lagos São João, com apoio técnico e mobilização das comunidades pesqueiras. “Desde que os impactos começaram a ser percebidos na lagoa, houve uma corrente de união para agir direto na causa e minimizar os efeitos”, explica Adriana Saad, secretária executiva do consórcio.
As ações foram idealizadas pelo Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ) e o Comitê de Bacia Hidrográfica Lagos São João (CBHLSJ), com o apoio da Prolagos.


