A Polícia Federal (PF) cumpre, nesta quarta-feira (27), 29 mandados de busca e apreensão no inquérito da produção de fake news, aberto no ano de 2019 para apurar ofensas e ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os mandados foram autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no STF, que apura a existência de esquemas de financiamento e divulgação em massa nas redes sociais de notícias falsas contra autoridades da República. A ordens são cumpridas no Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Santa Catariana.

Entre os principais alvos estão o ex-deputado Roberto Jefferson, Luciano Hang, das Lojas Havan, a ativista Sarah Winter, o blogueiro Allan dos Santos, do site Terça Livre, e o humorista Rey Bianchi. Todos eles se manifestaram em suas redes sociais repudiando as buscas em seus endereços.

Policiais fizeram buscas em dois endereços de Jefferson: um na cidade de Comendador Levy Gasparian e outro em Petrópolis, ambas no Rio.

Hang teve buscas em dois endereços em Brusque e um em Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

Segundo Jefferson, que publicou no Twitter trechos do mandado de busca, Moraes determinou a apreensão de seus telefones e de suas armas. Ele considerou a ordem uma tentativa de censura.

“Atitude soez, covarde, canalha e intimidatória, determinada pelo mais desqualificado Ministro da Corte. Não calarei”, escreveu o ex-deputado.

Em 9 de maio, Jefferson publicou uma foto segurando um fuzil e dizia se preparar para o combate “contra o comunismo, contra a ditadura, contra a tirania, contra os traidores, contra os vendilhões da Pátria”. Em outra publicação, ele sugeriu ao presidente Jair Bolsonaro que demitisse e substituísse os 11 ministros do Supremo.

Hang divulgou nota em que confirma a apreensão de seu computador e de seu celular e disse nunca ter atentado contra o STF ou seus ministros.

“Nada tenho a esconder, haja vista que o que eu falo está nas minhas redes sociais, é de conhecimento público. Meu computador pessoal e inclusive meu celular foram disponibilizados para perícia, o que ficará comprovado no decorrer do inquérito”, explicou.

O site Terça Livre alegou que celulares e computadores de Allan dos Santos foram apreendidos e classificou a ação como “intimidação”. No ano passado, o jornalista chegou a depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre fake news, quando negou que divulgue informações falsas ou que seja financiado para tal.

A ativista Sarah Winter também confirmou apreensão de celular e computador. “Moraes, seu covarde, você não vai me calar!! Meus advogados já chegaram, vamos pra cima! O Brasil não será uma ditadura. Hoje, Alexandre de Moraes comprovou que está a serviço de uma ditadura do judiciário”, escreveu

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