Projeto “Pescando Tradições” oferece cursos e intercâmbio entre pescadores da Região dos Lagos

Iniciativa se conecta com comunidades da Costa Verde em formação gratuita, valorização cultural e práticas sustentáveis

Iniciativa se conecta com comunidades da Costa Verde em formação gratuita, valorização cultural e práticas sustentáveis

O projeto Pescando Tradições, promovido pelo Instituto Burburinho Cultural, segue em andamento até o dia 14 de novembro, reunindo pescadores da Costa Verde e da Região dos Lagos em uma intensa programação de formação, trocas culturais e atividades voltadas ao fortalecimento da pesca artesanal. A ação, que reúne cursos, intercâmbio e atividades práticas, tem como objetivo consolidar saberes tradicionais, incentivar a profissionalização e promover práticas sustentáveis dentro das comunidades pesqueiras.

Ao todo, 40 pescadores e pescadoras participam do curso principal, que soma 206 horas de capacitação e está organizado em três eixos: cultura pesqueira tradicional, profissionalização da atividade e produção artesanal de peças e biojoias. As aulas incluem desde técnicas de captura e manejo até conteúdos voltados à organização, economia da pesca e preservação ambiental.

O projeto também oferece suporte às comunidades da Região dos Lagos com atividades complementares que seguem até dezembro, incluindo adequação de embarcações, presença de mediadores e intérpretes de Libras, utilização da Lagoa de Araruama como laboratório natural de aprendizagem e módulos específicos destinados ao fortalecimento da identidade cultural caiçara.

O intercâmbio, uma das etapas mais simbólicas da iniciativa, reúne 20 pescadores selecionados e acontece em dois momentos: cinco dias de atividades na Costa Verde e outros cinco na Região dos Lagos. A proposta é promover convivência, troca de técnicas, observação de realidades distintas e reforço dos vínculos entre comunidades que compartilham tradições semelhantes.

Segundo Milena Manhães, assistente de produção do projeto, a formação vai além da técnica. “Esse processo amplia a visão de mundo dos participantes, fortalece a identidade coletiva e reconhece os saberes ancestrais que mantêm a pesca artesanal viva”, afirma.

Para Francisco da Rocha, conhecido como Chico Pescador, a pesca artesanal continua essencial para a subsistência e economia da Lagoa de Araruama. “Uma comunidade com 40 embarcações monitoradas produz cerca de 200 toneladas de pescado por ano. Isso movimenta R$ 1,7 milhão e sustenta inúmeras famílias. A pesca artesanal é vital para a região”, reforça.

A iniciativa é patrocinada pela Prolagos e pelo Instituto Aegea, com apoio de associações e colônias de pescadores locais, como Apaapp, Apescarpegin e Apama.

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