Os desafios e o peso da jornada dos Cuidadores de Alunos Especiais da Educação de São Pedro da Aldeia motivaram o desabafo de uma servidora durante o II Encontrão do Pessoal de Apoio, que reuniu trabalhadores da rede municipal nesta quarta-feira (23). Na confraternização, a servidora subiu ao palco para manifestar sua insatisfação com a rotina de trabalho, que possui 40h semanais e salário de R$ 1.520,00, e pediu que a administração olhe com carinho para a redução da carga horária para 30h semanais. “Não é 30h para ficar à toa. É 30h para fazer um serviço de excelência.”, destacou a servidora.
Cuidadora de alunos especiais da Educação Aldeense desde 2021, para a servidora, a jornada da classe e a falta de profissionais para a área criam sobrecarga, tornando o serviço exaustivo. “Você trabalhar com papel, com computador, é uma coisa. A gente trabalha com criança. Criança que tem crise, que chora, que pede as coisas. E é que nem falaram aqui, nós somos, muitas vezes, os familiares dessa criança. Nós somos. Porém, a gente já está esgotado mentalmente.”, afirmou.
Ainda de acordo a profissional, o salário baixo e a falta de apoio e benefícios como vale-alimentação e plano de saúde causa desanimo nos trabalhadores. “A gente fica nesse meio, que não tem ninguém por nós. A sensação é essa. A gente não tem vale-alimentação, a gente não tem um plano de saúde, a gente só tem as 40 horas e um salário mínimo. Hoje, com o salário mínimo, você faz o quê? Se é uma mãe de família, uma mãe solo, como que você paga o aluguel? Vai ao mercado, você não sai de lá com menos de 300 reais e isso não vai durar nem um mês. Então, é de fato uma situação insustentável”, desabafou a servidora, que finalizou afirmando que “se está ruim esse ano para conseguir cuidador para trabalhar, espera o ano de 2026. Não vai ter.”
O relato recebeu apoio outros servidores e pais de alunos da rede pública de ensino de São Pedro. Nas redes sociais, uma mãe comentou: “Raquel é cuidadora da minha filha autista e defendo cada palavra dela. Eu, que sou mãe atípica, sei o quanto é exaustivo lidar com crianças autistas. Aumentaram a carga horária por um salário absurdo e sem o devido treinamento. O tempo da escravidão acabou, senhor prefeito. Os funcionários e principalmente as crianças merecem mais.”
A jornada de trabalho da educação de São Pedro da Aldeia foi fixada em 40h semanais no início do ano de 2024. Desde a mudança, trabalhadores e representações sindicais do setor realizam manifestações contrárias ao aumento e tentam articular a diminuição da carga horária de serviço para trabalhadores da educação.
O portal Fontecerta.com entrou em contato com a Prefeitura de São Pedro da Aldeia para saber o que a gestão acha sobre o relato da servidora e a alegação de falta de treinamento dos trabalhadores e se há planos para a redução das horas de trabalho. Até o fechamento desta matéria, não tivemos retorno. A matéria será atualizada em caso de resposta.


