A Comissão de Turismo da Assembleia Legislativa (ALERJ) vai convocar audiência pública para debater as causas do fim de grandes eventos motociclísticos no Estado do Rio, como o Imperial Moto-Fest, de Petrópolis, e o Tubarões Bikerfest, de Cabo Frio, entre outros. Os parlamentares querem ouvir os responsáveis pela realização dos eventos, que movimentam a economia das cidades na baixa temporada, e buscar alternativas de apoio nos municípios, no estado e no governo federal.

Segundo o deputado Victor Júnior, integrante da comissão, os encontros de motociclistas são os maiores propulsores do turismo regional, levando divisas e diversão inclusive para pequenos municípios do interior, como é o caso de Conceição de Macabu, Sumidouro, São Fidélis, Cordeiro e São José do Vale do Rio Preto, que promovem bons eventos. Motociclista, o parlamentar já participou da organização do evento de Niterói, que também acabou.

“Cada cantinho do estado tem sua vocação e o motociclismo é muito forte na maioria dos municípios fluminenses. Temos que buscar mecanismos para potencializar os eventos e recuperar os que deixaram de ser realizados, como os grandes encontros de Cabo Frio e de Petrópolis. Vamos reunir os presidentes de motoclubes e cobrar apoio do poder público,” disse o deputado.

Presidente do Moto-Clube Tubarões de Cabo Frio, Augusto Aquino disse que o clube não está conseguindo realizar o Tubarões Bikerfest, que já teve 23 edições e era apontado como um dos maiores eventos da América Latina, por falta de apoio:

“Para fazer mal feito é melhor não fazer. Chega um momento em que você não tem mais forças para realizar o evento, apesar das cobranças de quem nos visitava e da rede hoteleira da cidade. Nosso evento conseguiu reunir 30 mil pessoas em quatro dias. Sem apoio, não há como promover encontro com estrutura e segurança para todos,” lamentou.

Especialista em turismo, o ex-secretário de Turismo de Arraial do Cabo, Marcos Simas, há anos acompanha os eventos motociclísticos e destaca a importância dos encontros para o setor turístico, “com resultados muito melhores do que as festas que contratam artistas de cachês altos”.

“Estes eventos movimentam o turismo, combatem a sazonalidade e levam entretenimento aos moradores das cidades com o movimento das máquinas de duas rodas, a nostalgia do rock progressivo das bandas e a diversidade dos produtos oferecidos pelos expositores. É uma pena que o poder público e a rede hoteleira neguem apoio. Perdem as cidades,” disse o turismólogo.

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