De Cabo Frio para o Mundo: a trajetória de uma lenda do surf em “Victor Ribas, o Filme”

Produção dirigida por Luis Simpson revisita carreira do atleta cabo-friense que colocou o País no mapa do surf internacional

Foto: Reprodução/ Internet

Há histórias que nascem à beira-mar, crescem com o vento e retornam ao ponto de partida carregando o brilho de uma trajetória rara. E a de Victor Ribas é uma delas. No início do verão de 1999, o surfista cabo-friense colocou o Brasil entre os melhores do mundo ao conquistar o terceiro lugar no Circuito Mundial de Surf — um feito histórico que abriu portas para toda uma geração do esporte. Agora, sua jornada ganha novos contornos no documentário “Victor Ribas, o Filme”, previsto para ser lançado em fevereiro de 2026.

Produzido, roteirizado e dirigido pelo também cabo-friense Luis Simpson, em parceria com a Gaia Filmes e Filmadeira, o filme resgata quatro décadas de conquistas, desafios e transformações na vida de um nome marcante do surf nacional. Com imagens inéditas dos anos 1980 e 1990, registros atuais filmados em Cabo Frio e depoimentos de grandes lendas do esporte, o documentário promete mergulhar em uma memória afetiva que pertence não apenas ao atleta, mas a toda a cidade.

Como começa a história:

Iniciada em 1980, a carreira de Victor Ribas conta com anos de histórias, vitórias e aprendizados, que começaram muito antes do Circuito Mundial de Surf de 1999. E segundo Luis Simpson, toda a trajetória do surfista será destacada no documentário. 

Em entrevista ao portal Fontecerta.com, o diretor contou que a ideia surgiu há mais de dez anos, quando ele e Victor eram vizinhos no Foguete. “Eu dizia sempre: ‘Vitor, a gente precisa fazer o seu documentário’. Era absurdo nunca terem contado essa história e, sendo o primeiro, dá até um frio na barriga fazer essa produção, porque eu sei que tem muita gente na expectativa. Mas tá ficando lindo”, afirma.

A oportunidade só veio em 2024, quando o diretor inscreveu o projeto no edital municipal da Lei Paulo Gustavo. A aposta deu certo: o filme foi selecionado. E a partir dali, o que deveria ser um curta de 30 minutos se transformou em um projeto muito maior, apoiado por figuras importantes da carreira de Ribas e com imagens raras.

Para Victor, reviver sua trajetória não foi algo simples. O surfista, que participou do processo de produção colaborando com contatos e memórias, afirma que se viu transportado para o passado.

“Pô, fiquei emocionado. Achei que ficou legal pra caramba. Tem muita coisa de épocas diferentes e ver tudo isso junto dá um orgulho danado”, contou o surfista, antes de continuar: 

“O que me orgulha mais é saber que eu comecei numa época em que o esporte ainda estava se profissionalizando. Eu acho que eu fiz parte de uma das primeiras gerações a conseguir viver do esporte, adquirir coisas e conhecer o mundo. E isso, para mim, é muito gratificante. A experiência que eu tenho no mar e em vários oceanos diferentes é uma coisa que poucas pessoas tiveram. É uma bagagem muito boa e acho que uma história muito legal, que pode ser contada de uma maneira bem bacana”, destacou Victor, que espera que o projeto abra novas portas para o surf em Cabo Frio. 

Cabo Frio: cenário e surfistas em destaque

Ao longo das últimas quatro décadas, onde quer que fosse, Victor fez questão de levar Cabo Frio consigo. Essa relação do surfista com a cidade, segundo Luis Simpson, foi parte essencial da construção da história de quem Victor se tornou no documentário. 

“É muito interessante como o Vitor nunca deixou de dar importância à cidade ao longo da trajetória dele, sabe? Ao longo desse período de pesquisa, eu tenho muita entrevista dele novo, no mundo inteiro, e ele sempre fala ‘sou de Cabo Frio’. Ele está sempre citando Cabo Frio, ele não fala ‘sou do Brasil’. E isso é muito interessante. Você não vê o Gabriel Medina falar que é de Ubatuba, sabe? Eu acho que ele divulgou Cabo Frio mais do que qualquer pessoa e, por aí, dá pra ver o orgulho que ele tem da cidade. Eu não poderia deixar de relacionar isso no filme, entende?”, explicou o diretor da obra. 

Luis afirma que a produção conta com um grande apoio de surfistas locais, amigos e familiares que fizeram parte da trajetória de Victor. Esses amigos compartilham histórias, detalhes de bastidores e percepções sobre o impacto de Victor no esporte. Entre os entrevistados estão Rick Werneck, Ricardo Bocão, Ricardo Martins, Antônio Ricardo e até o Ângelo Minarini, o Babu — outra figura histórica do surf cabo-friense. 

“Quando o Babu topou falar, eu vi de novo que a gente estava diante de uma história realmente grande. Nunca ninguém conseguiu pegar uma entrevista dele, e a gente conseguiu para o filme”, contou Luis, que também destacou a importância de ver grandes nomes, além de amigos e familiares do Victor, apoiando o projeto.

Preparação e expectativas

Atualmente, o documentário está em fase final de edição e a equipe, já iniciou os preparativos para o lançamento. De acordo com Luis, a premiere já está confirmada para acontecer no início do próximo ano em Cabo Frio, só falta estabelecer alguns detalhes. 

“Várias pessoas já vieram falar comigo para oferecer espaço pro evento. Então, a princípio, o nosso objetivo é lançar [o filme] aqui, em Cabo Frio, com a presença de todos os participantes do filme, a comunidade do surf local — que é gigante aqui na região e abraçou muito projeto — e, depois, o documentário vai rodar os festivais. A gente espera que ele ganhe vida própria e saia voando por aí”, contou o diretor.

Tanto para Luis quanto para Victor, a expectativa pelo lançamento em fevereiro de 2026 é grande. O diretor e o surfista esperam que o público se emocione com a história de superação, coragem e inspiração de Victor. 

“Os surfistas estão muito entusiasmados. O Victor é o herói deles e, quando assistir ao filme, você vai entender o porquê. Não só pelo nível do surf ou como ele é profissionalmente, mas também como ele é como pessoa. Então, eu tenho certeza de que a galera vai curtir pra caramba, vai gritar pra caramba, vai rir pra caramba. Vai ser um filme super alto astral. Eu acho que vai ser muito bem aceito, muito bem aceito.”, destacou Luis.

Para Victor, sua história é capaz de inspirar toda a população cabo-friense, além do meio do surf.

“Eu espero que o pessoal sinta orgulho de ser cabo-friense. Tudo começou aqui, em Cabo Frio. Um menino que nasceu e foi criado na cidade e ganhou o mundo através da Praia do Forte. Espero que as pessoas entendam que isso é possível para qualquer área, entende? Que se orgulhem e se inspirem”, ressaltou Victor Ribas. 

O lançamento da obra deve, ainda, abrir novos caminhos para o registro da história de Victor Ribas no audiovisual. A expectativa da equipe, composta por Luis, Guto Madeira (Direção de Fotografia), Fábio Martins e Beatriz Taner (Produção Executiva), Rick Werneck (Trilha Sonora) e Yuri Vasconcelos (Ilustração), é que, após o documentário, uma série seja produzida de forma aprofundada. Mas, de acordo com o diretor, esse será um bate-papo para o futuro. O foco, agora, é a divulgação do filme, que está sendo feita pelo instagram @victorribasofilme , com conteúdos exclusivos dos bastidores da produção.

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