“Estamos chegando!”, diz Carlos Ernesto Lopes, o Carlão, secretário de Cultura de Cabo Frio a partir de janeiro

Na primeira entrevista concedida com exclusividade ao Fontecerta.com, futuro secretário fala de planos, projetos e reafirma compromisso de reabertura do Teatro Municipal

Na primeira entrevista concedida com exclusividade a um veículo, futuro secretário fala de planos, projetos e reafirma compromisso de reabertura do Teatro Municipal

Com mais de 30 anos dedicados à cultura do que chama de terra amada, Carlos Ernesto Lopes, ou simplesmente Carlão, é um dos nomes confirmados pelo prefeito eleito Dr. Serginho para compor o primeiro escalão do governo. Juntos desde a campanha eleitoral, Carlão e Serginho reafirmaram o compromisso de transformar a pasta da Cultura em destaque no novo mandato, afinal, ambos são cabo-frienses apaixonados pela rica cultura local. E a reabertura do Teatro Municipal Inah de Azevedo Mureb, que há anos está abandonado, fechado ao público e envolto em obras que nunca terminaram?

“Isso é uma fala do prefeito, isso é um compromisso do prefeito. E a gente vai reabrir o Teatro Municipal, que vai fazer com que tudo isso possa ser, pode ser a casa, né? Eu acho que o Teatro Municipal passa a ser a casa da conversa, do entendimento, desse momento em que Cabo Frio vai ter, que é de muita conversa”, disse Carlão.

Confira abaixo a íntegra da entrevista concedida ao Portal Fonte Certa.

Fonte Certa: Carlos Ernesto, o novo Secretário de Cultura de Cabo Frio. Carlão, como você recebeu esse convite?

Carlão: Bom, eu recebi esse convite com muita alegria, até porque nós estamos falando de 30 anos de trabalho diante da Secretaria de Cultura. Quando o Serginho me chamou e eu fiquei pensando literalmente em todo esse trajeto que a gente fez de construção de uma cultura, do que a gente pensou como políticas públicas de cultura. É muito complicado você entender o que são políticas públicas de cultura. E eu falei isso para ele. Irmão, beleza, estou muito feliz, mas a gente tem que passar a pensar a cidade como políticas públicas de cultura. Que não é só um momento, né? Nós estamos falando de pessoas, nós estamos falando de história, nós estamos falando de uma cidade que é a sétima cidade mais antiga e aí vem todo um histórico muito grande em cima disso.

A gente precisa hoje estar desenvolvendo o turismo cultural em cima desse conhecimento e das oportunidades que nós vivemos à frente de outras coisas para poder desenvolver isso. Então, assim, eu tenho maior alegria mesmo de fato de ser convidado pelo Serginho para ser secretário de Cultura e quando eu sou o secretário de Cultura para assumir a pasta eu estou falando de toda uma equipe. Porque o Carlão é apenas a pessoa que vai representar isso. Mas tem todo esse pessoal, toda essa cultura que me coloca nesse lugar.

F.C: Estamos falando de Turismo Cultural…Sabemos que ainda estamos na fase da transição de governo, mas já tem alguma ideia de alguma coisa nesse sentido?

Carlão: A gente fala de turismo, né? Quando fala de turismo, a gente está falando das pessoas que vão chegar aqui. Quando a gente fala de turismo, a gente fala de estar pronto para mostrar o nosso tamanho. Então, o turismo cultural, ele passa não só pela questão da cultura, mas ele passa pela questão da educação, pelo esporte, pela forma com que a cidade se comporta para poder receber todo esse legado, né? Estamos recebendo uma cidade muito complicada, a gente não pode esquecer isso, nós estamos recebendo uma cidade onde nada funciona, onde os equipamentos culturais estão completamente abandonados. Então, a gente pensa que a gente pode contribuir nesse momento com essa questão do turismo cultural, que nunca, e vou repetir, nunca se fez um turismo cultural na cidade. Sétima cidade mais antiga do Brasil e é meio inacreditável isso não ter sido explorado, né? Para o Brasil todo.

Eu não posso pactuar com que a história dos 500 anos que a gente vivenciou muito. Ela pode ter passado, porque a história dos 500 anos da cidade passou. A cidade tem mais que 500 anos, eu não posso deixar de falar que o morro lá do Arpoador, onde fala-se da primeira feitoria na cidade, passou. Eu não posso deixar que o Teixeira e Sousa, o primeiro romancista brasileiro, passou. Eu não posso deixar que a manifestação cultural, a maior manifestação cultural popular, passou, que é o Carnaval. Eu não posso entrar agora em janeiro e ter, de oito folias de reis que nós tínhamos, nós temos hoje uma folia e meia. Então, eu acho e acredito que a gente, com todo esse conhecimento, toda essa informação, a gente possa contribuir para que a cidade realmente retorne, porque o grande momento hoje é resgatar a cidade. Serginho é muito claro nisso. Vamos resgatar para que o cabo-friense possa dizer assim, cara, eu moro em Cabo Frio e a gente tem aqui o melhor lugar do mundo.

F.C: Carlão, a gente passou os últimos anos com muita dificuldade para realizar o Carnaval, sabemos disso. O desfile das Escolas volta, o que você pensa pro carnaval de Cabo Frio já pra esse ano?

Carlão: O ano de 2025 a gente não pensa em termos de escola de samba nesse momento até porque a Liga das Escolas de Samba é quem rege. A gente não pode esquecer, nós temos uma Liga das Escolas de Samba de Cabo Frio que rege toda essa formatação dessa administração em relação às escolas de samba e ela já foi muito clara pra mim que esse ano a gente não tem como fazer. Mas ela tem um projeto muito bacana que eu pude ler, ver que é possível, muito bacana mesmo. Então o presidente Leandro Corrêa tem um projeto muito bacana a gente tem um histórico dos blocos de arrastão que eu acredito muito. A gente sempre pensou no bloco de arrastão como uma forma de mostrar a nossa história o bloco de arrastão de Cabo Frio, é uma forma da gente estar colocando pra toda a sociedade aquilo que a gente tem de melhor, ou seja, uma questão da nossa história, uma questão familiar e de resgate dessa história que vem a partir de tantas pessoas como Zé Barbosa, Antônio de Gastão que fazia os bonecos… A gente tem um histórico muito grande em relação aos blocos de arrastão que a gente vai incentivar esses blocos sim, mas o bloco tradicional, nós estamos falando de história. A associação de blocos vai trazer o projeto com certeza e a gente vai mostrar qual é o projeto da Secretaria de Cultura porque a gente entende que o Carnaval é feito como um todo. A Secretaria de Cultura é quem rege e representa o município de Cabo Frio pra falar do Carnaval e a gente vai buscar todos esses projetos e fazer desses projetos uma grande celebração. Nós temos blocos que são patrimônios imateriais e que as pessoas precisam conhecer quais são esses patrimônios. Nós precisamos conhecer quais são os patrimônios históricos da cidade em relação ao Carnaval, cada bloco, nós estamos falando do Parókia, do Boi da Barra, do Que Merda é Essa?, do Bloco da Passagem, do Bloco da Praia Siqueira, e outros…E é exatamente isso, o reconhecimento que a Secretaria de Cultura precisa levar ao conhecimento de um público, que não é só o público de quem mora aqui. Vai ter Carnaval na cidade de Cabo Frio? O que o Parókia, por exemplo, está preparando para poder receber essas pessoas que vão chegar? O que o Que Merda é Essa? tem a oferecer? É um legado do que fica, porque o Carnaval vai ser em março desse ano, mas o que fica durante um ano inteiro: o que essas instituições vão levar para a cultura do município, a sua história, os músicos? Eu não sei, então é muito importante discutir com todas essas demandas, com todas essas pessoas que fazem a cultura do município

F. C.: Carlão, quais serão os seus primeiros passos na Secretaria de Cultura a partir de 1º de janeiro de 2025?

Carlão: Então, a gente não pode falar, Carlão, quais serão os seus primeiros passos, né? Quem rege a cidade é o prefeito, que é o Serginho, e ele vai dizer o que quer que a gente faça. Mas, primeiro, vamos organizar. A gente tem um desmando muito grande na cidade, a gente tem um abandono muito grande e eu sou uma pessoa que trabalha com organização. Eu não sei fazer nada sem trabalhar. Inclusive o Serginho me perguntou, Carlão, como é que você pretende? Eu falei, meu irmão, você me deixa organizar? Deixa eu organizar. Eu vou organizar. Eu quero que eu tenha oportunidade de organizar, não é a cultura do município, porque ela já é organizada. Eu quero organizar a forma como ela vai desenvolver nos seus vários segmentos. No artesanato, na fotografia, nas artes práticas, na dança, etc. E a gente precisa fazer com que a sociedade, as pessoas que têm essa expectativa da nossa entrada, estejam juntas. Porque eu não posso ser oposição pra uma coisa que eu não conheço. Eu tenho que ser uma pessoa que vou contribuir com aquilo que eu não conheço. Até porque eu preciso trazer pra perto aquilo que eu acredito como meta, como segmento. E eu acredito que Cabo Frio está nessa vibe. Nós não podemos esquecer que existem dois comportamentos, antes da pandemia e depois da pandemia. Nós vivemos um momento, vivemos, nós passamos um momento em que nós perdemos 8 mil pessoas por dia durante a pandemia. Não é possível que o meu comportamento, antes e depois disso, eu não tenha que parar e pensar qual é o meu comportamento a partir de agora. É isso.

F.C: E o Teatro Municipal em 2025? Vamos reabrir?

Carlão: Isso, o Serginho junto com o Vaguinho, que são duas pessoas que trabalharam com o Estado, estão trabalhando direto uma reabertura. Existe um projeto através das instituições do Estado que vão fazer com que o Teatro Municipal vá reabrir. Isso é uma fala do prefeito, isso é um compromisso do prefeito. E a gente vai reabrir o Teatro Municipal, que vai fazer com que tudo isso possa ser, pode ser a nossa casa, né? Eu acho que o Teatro Municipal passa a ser a casa da conversa, do entendimento, desse momento em que Cabo Frio vai ter, que é de muita conversa. Que é de agregar e não de excluir.

F.C: Quais são suas palavras finais para a população cabo-friense?

Carlão: Cara, estamos chegando. Nós estamos aí. Quem está chegando é uma pessoa que ama Cabo Frio, filho de Cabo Frio, que ama Cabo Frio, que tem tudo de bom pra poder acrescentar. Eu acho que a gente sempre fez isso. Então, esse é o nosso momento.

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