Início Cabo Frio Policiais acusados de sequestro são nomeados na Alerj

Policiais acusados de sequestro são nomeados na Alerj

Reportagem aborda ligação entre deputados de Cabo Frio e PMs envolvidos em caso ocorrido em 2013

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Dois policiais militares suspeitos de sequestrar e extorquir dinheiro de um traficante foram nomeados na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

De acordo com uma matéria veiculada pelo jornal Extra, nesse domingo (05), um deles, o sargento Bruno Demke Bernardo, é filho de um deputado, o PM aposentando Mauro Bernardo (PROS). Duas semanas depois da posse do pai, Bruno teria sido cedido pela PM à Coordenadoria de Segurança da Casa. Já o cabo Cristiano Gonçalves Rosa ocupa, desde fevereiro, um cargo comissionado no gabinete de outro parlamentar, Dr. Serginho (PSL), e ganha R$ 4.847,26 líquidos da Alerj, além do seu salário na PM.

Os dois policiais são acusados pelo crime que aconteceu no dia 15 abril de 2013. Segundo a Polícia, os dois PMs foram flagrados por agentes do 25º BPM (Cabo Frio) em um carro clonado no local conhecido como Ponta da Alcaieira, em Araruama. Antes, uma mulher havia abordado os agentes do batalhão local relatando que seu cunhado havia sido forçado por homens encapuzados a entrar em um carro. Quando chegaram no local, os suspeitos foram encontrados, à época lotados no Bope. A vítima do sequestro mais tarde foi identificada como Hemerson Silveira de Souza, sendo chefe do tráfico de Arraial do Cabo. Os dois Policiais foram presos administrativamente no mesmo dia do ocorrido.

Ainda de acordo com a PM, os suspeitos relataram que os agentes teriam liberado Hemerson e que queriam “apenas dar um susto nele”. Já segundo o depoimento da vítima, após ter sido forçado a entrar no carro, ele “foi desacordado, tendo voltado a si numa praia”. Hemerson também alegou que, quando acordou, um dos homens se identificou como PM do Bope e exigiu dinheiro para não matá-lo.

Segundo o Ministério Público, os dois policiais foram denunciados por extorsão mediante sequestro e receptação, sendo expulsos da PM por decisão do comandante-geral, coronel José Luís Castro Menezes.

Segundo a matéria do Extra, os PMs entraram na Justiça para voltar à corporação, e conseguiram ser reintegrados seis meses depois. Em março de 2018, o processo que julga a manutenção dos PMs na corporação foi suspenso até que haja sentença do processo criminal. Os dois policiais negam ter cometido os crimes.

Ao ser questionado sobre a cessão de seu filho para a Alerj logo após sua posse, o deputado estadual subtenente Mauro Bernardo, negou a prática de nepotismo. “O sargento encontra-se cedido à superintendência militar da Assembleia, não ocupa cargo em comissão, é concursado da Polícia Militar e não se encontra subordinado ao meu gabinete, o que afasta qualquer indício de nepotismo, uma vez que não há qualquer subordinação hierárquica”, alega, em nota enviada por sua assessoria. Segundo a nota, Bernardo alegou que o processo “se encontra em fase inicial de instrução e não há sequer condenação em primeira instância, ressaltando que no nosso ordenamento pátrio vigora o princípio da presunção de inocência”.

Já o deputado, Dr. Serginho, afirma que “todos têm direito à defesa, dentro do princípio da presunção de inocência”. Ainda segundo o parlamentar, “não há nenhuma condenação no referido caso, e o policial é respeitado na cidade”.

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