Com mais de 5 milhões de casos prováveis e 3.254 mortes por dengue, o Brasil atravessa a maior crise da doença nos últimos 2024 anos e lidera o ranking global elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que já soma 7.675.613 casos em 90 países espalhados pelo globo. Na Região dos Lagos, os números da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti no primeiro semestre deste ano dobraram em comparação a todo o ano de 2023, que registrou apenas 1.500 casos e nenhuma morte nos municípios de Araruama, Armação dos Búzios, Arraial do Cabo, Cabo Frio Iguaba Grande e São Pedro da Aldeia. Até agora, 3.653 possíveis casos e 8 mortes pela doença já foram registradas na região.
Segundo o Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde, Araruama tem o maior índice de casos de dengue na região: 1.449 casos e 4 mortes por dengue foram registrados na cidade até abril deste ano. Em maio, a situação do município melhorou e não houve registro da doença. Cabo Frio fica em segundo lugar, com 798 casos, sendo 91 registrados no mês de maio. Já Arraial do Cabo registrou 476 casos de dengue até agora.
Armação dos Búzios, Iguaba Grande e São Pedro da Aldeia registraram menos de 400 casos. Apesar do índice ser menor em comparação aos outros municípios, a situação preocupa pela alta em relação aos casos dos anos anteriores no mesmo período do ano. Até agora, são 337 casos no município buziano; 233 em Iguaba Grande; e 360 em São Pedro da Aldeia.
A vacinação contra a doença começou a ganhar campanhas no início deste mês, nos municípios de Araruama e São Pedro da Aldeia. Em Búzios, os imunizantes já estavam disponíveis nos postos de saúde desde maio e 96 pessoas foram vacinadas. A vacinação é realizada de segunda a sexta-feira, em todos os postos de saúde dos três municípios. A campanha de imunização contra a dengue está, no momento, concentrada na faixa dos 10 aos 14 anos de idade.
Em Arraial e Cabo Frio, a vacinação não está disponível. Os municípios esperam a chegada de imunizantes. Através de nota, a Secretaria de Saúde do município cabista informou quais ações de combate a doença tem sido realidade até o momento:
“Seguimos monitorando o número de casos e articulando a equipe de saúde para o melhor atendimento dos casos de arboviroses. Continuamos realizando as visitas domiciliares pelos agentes de endemia em busca de focos do mosquito transmissor, além de campanhas de educação e conscientização da população, peças chave para o combate e controle da doença.” explicou.
Iguaba Grande foi o único município a não dar retorno sobre as ações de combate à doença na cidade.
Outras doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti
Apesar da dengue ser a maior preocupação neste ano, o Aedes Aegypti propaga, ainda, outras duas Arboviroses Urbanas: a chikungunya e o zika vírus. As três doenças têm sintomas e sinais parecidos. Enquanto a dengue se destaca pelas dores nos corpo, a chikungunya se destaca por dores e inchaço nas articulações. Já a zika se destaca por uma febre mais baixa (ou ausência de febre), muitas manchas na pele e coceira no corpo.
Na Região dos Lagos, não houve registro de casos de zika vírus até o momento. Em relação a chikungunya, poucos casos foram notificados: quatro casos em Araruama; três em Arraial do Cabo, Armação dos Búzios e em São Pedro da Aldeia; e oito em Iguaba Grande. Cabo Frio tem o maior índice de registro da doença, com 74 casos.
Segundo Andreia Nogueira, Bióloga da Vigilância em Saúde Ambiental da SEMUSA de Cabo Frio, a prevenção é a melhor forma de combater as doenças referentes às arboviroses urbanas.
“Evitar acúmulo de inservíveis, não estocar pneus em áreas descobertas, não acumular água em lajes ou calhas, colocar areia nos vasos de planta e cobrir bem tonéis e caixas d’água, receber a visita do agente de saúde, são algumas iniciativas básicas. Muito importante a conscientização da população!”
pontuou a bióloga.


