Pescadores de São Pedro da Aldeia e Iguaba Grande têm relatado casos preocupantes envolvendo peixes capturados na Lagoa de Araruama. Corvinas e carapebas têm aparecido com ferimentos na pele, semelhantes a queimaduras, e olhos inchados, além de alguns exemplares serem encontrados mortos. A situação gerou alarme na comunidade pesqueira, levando à coleta de amostras para análises laboratoriais.
“A gente já está vendo o pescado com ferimento faz um mês. Primeiro apareceu na corvina, agora em carapebas grandes, que às vezes já estão mortas. Parece queimadura, os olhos ficam grandes, ‘butucados’”, relatou Azeredo, presidente da Associação dos Pescadores Artesanais da Praia da Baleia. Ele também destacou que, embora a água aparente estar limpa, a presença de sedimentos intensos na lagoa pode estar relacionada aos problemas nos peixes.
Preocupados com a saúde da fauna local os pescadores buscaram apoio da Prefeitura de São Pedro da Aldeia, que acionou o Projeto Cavalos-Marinhos do Rio de Janeiro, coordenado pela bióloga Natalie Freret. O INEA também foi acionado e coletou amostras da água nas praias do Camerum, no Porto da Aldeia, e do Mossoró.

Em nota, o Consórcio Intermunicipal Lagos São João disse estar ciente das ocorrências relatadas e que fez análises detalhadas da qualidade da água e dos sedimentos da lagoa. Eles informaram ainda que especialistas em ictiopatologia (doenças de peixes) foram contatados para avaliação técnica aprofundada sobre as possíveis causas dos ferimentos que atingem o pescado. A nota afirma ainda que, em parceria com as prefeituras locais e órgãos ambientais, estão sendo realizados o monitoramento para identificar eventuais fatores que possam estar contribuindo para essa situação, e que apesar dos esforços, ainda não foi possível determinar a causa exata para o ocorrido.
Já a Prolagos informou que todo o sistema de esgotamento sanitário segue operando normalmente.


