O Instituto de Previdência Aldeense (PREVISPA), responsável pela gestão do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) de São Pedro da Aldeia, investiu recursos da aposentadoria dos servidores em um fundo ligado ao Banco Master, instituição financeira que passou a ser alvo de investigações e questionamentos no mercado. A informação consta em levantamento publicado pelo jornal Folha de S.Paulo, que identificou ao menos cem regimes de previdência municipais e estaduais em todo o país com aplicações em fundos associados ao banco.
Segundo a reportagem, o PREVISPA destinou R$ 222.222,00 ao Brazilian Graveyard & Death Care Services FII, um fundo imobiliário incluído no conjunto de investimentos ligados ao Banco Master. Os dados foram obtidos a partir do cruzamento de informações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Ministério da Previdência.
Documentos oficiais do próprio órgão previdenciário indicam que a aplicação ocorreu em um momento de retração do segmento de fundos imobiliários na carteira do instituto. Entre 2022 e 2025, o volume total investido nesse tipo de ativo caiu de cerca de R$ 644 mil para aproximadamente R$ 226 mil, reduzindo sua participação para apenas 0,14% do patrimônio total do RPPS. O histórico mostra que os fundos imobiliários vinham acumulando quedas sucessivas de valor e perda de espaço na carteira previdenciária, antes e após o aporte no fundo citado.
O cenário local se insere em um contexto de repercussão nacional após a revelação de que fundos vinculados ao Banco Master concentraram recursos de institutos de previdência em ativos considerados de maior risco, muitos deles com baixa liquidez e elevada exposição às oscilações do mercado financeiro.
De acordo com a apuração da Folha, parte desses investimentos sofreu desvalorizações expressivas, resultando em prejuízos milionários a regimes previdenciários de estados e municípios. Em alguns casos, os fundos chegaram a perder mais da metade do valor aplicado, o que levantou questionamentos sobre o cumprimento dos critérios de segurança e conservadorismo exigidos por lei na gestão de recursos previdenciários, cuja finalidade é garantir o pagamento futuro de aposentadorias e pensões.
A reportagem não aponta ilegalidade específica na aplicação realizada pelo PREVISPA, nem informa se houve prejuízo direto ao instituto até o momento.
Em nota enviada ao Portal Fonte Certa, o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de São Pedro da Aldeia (PREVISPA) afirmou que o investimento no Brazilian Graveyard & Death Care Services FII foi realizado em novembro de 2018, período em que o fundo ainda não era administrado pelo Banco Master. Segundo o instituto, a mudança na administração ocorreu apenas em julho de 2025, por decisão de assembleia de cotistas, na qual o PREVISPA informou ter votado contra. O órgão confirmou que houve rendimento negativo na aplicação, embora tenha destacado que a carteira geral do RPPS permaneceu com rentabilidade positiva no período. Ainda de acordo com a nota, parte do recurso foi resgatada e outra parte permanece investida, com valor atualizado de R$ 239.216,00. O instituto ressaltou que os investimentos passam por reavaliações constantes e que a política adotada segue a Resolução do Conselho Monetário Nacional nº 5.272/2025, editada com o objetivo de mitigar riscos em aplicações semelhantes às envolvendo o Banco Master.


