A possível renúncia do governador Cláudio Castro (PL), marcada para esta segunda-feira (23), abriu um novo capítulo na já turbulenta política do Rio de Janeiro. Mas há um detalhe central e pouco explorado, que pode embaralhar ainda mais o cenário: para que a eleição indireta aconteça de forma limpa, o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, também precisaria deixar o cargo.
Isso porque, na linha sucessória do Estado, Bacellar é peça-chave no processo. Sem a sua saída, o desenho institucional pode ficar comprometido, gerando questionamentos jurídicos e políticos sobre a condução da eleição indireta que deve definir o próximo governador até 2026. Bacellar está em prisão domiciliar por envolvimento com o crime organizado e está afastado do cargo desde o fim do ano passado.
Nos bastidores, os indícios de que Bacellar pode renunciar ainda hoje ganham força. A movimentação não é isolada: acontece na véspera do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pode cassar tanto Castro quanto o próprio grupo político que sustenta o governo.
Mas, longe de uma saída discreta, Bacellar articula uma sucessão sob medida. O nome da vez é o do deputado Chico Machado, seu aliado direto, que vem sendo trabalhado como possível herdeiro político dentro da Assembleia Legislativa. Para consolidar esse movimento, Bacellar organizou um encontro em sua casa de campo, em Teresópolis, reunindo cerca de 40 deputados estaduais. O objetivo é testar força e tentar garantir apoio ao seu sucessor.
O problema é que o clima na Alerj está longe de consenso. Há parlamentares dispostos a comparecer por lealdade aos tempos em que Bacellar concentrava poder. Outros, porém, avaliam que o ciclo político do presidente afastado já se encerrou, e veem a articulação como um movimento tardio.
Enquanto isso, o governo estadual tenta manter uma aparência de normalidade. Um ato oficial de despedida de Castro foi organizado para o fim da tarde desta segunda-feira (23), no Palácio Guanabara, com convites circulando entre secretários e aliados. A assessoria do governador, até o momento, não se pronunciou.
Caso a renúncia de Castro se confirme, quem assume interinamente é o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto. Caberá a ele convocar a eleição indireta na Alerj. O ponto crítico, porém, segue no ar: sem uma solução simultânea envolvendo Bacellar, o processo pode nascer sob questionamentos, ou até mesmo travar.


