Mais de duas semanas após a morte do serralheiro Jorge Carlos Machado Junior, de 44 anos, a Prefeitura de São Pedro da Aldeia se manifestou oficialmente, alegando que o paciente “recebeu atendimento imediato” no Pronto-Socorro municipal. A declaração, no entanto, é contestada pela viúva Isabella Estrella, que acusa o sistema público de negligência e afirma que o marido morreu à espera de exames, diagnóstico e transferência para UTI.
Na nota enviada ao Portal Fontecerta.com, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que todos os esforços foram feitos para garantir a regulação junto ao Sistema Estadual de Regulação de Vagas (SER), inclusive em hospitais privados. “Infelizmente, apesar de todos os esforços da equipe, o quadro clínico se agravou de forma rápida e progressiva e ele veio a óbito”, diz o comunicado.
Consultada, Isabella nega. Segundo ela, não houve qualquer mobilização da gestão municipal até a judicialização do caso. “Eles cruzaram os braços. Se tivessem agido desde o início, Jorge poderia estar vivo”, afirma. A viúva também relata que a Prefeitura não fez qualquer contato com a família após o ocorrido: “Estamos sozinhos. Pra eles, foi só mais um número”.
No fim de maio, Isabella publicou nas redes sociais um relato comovente: “Qual a diferença entre um criminoso e um sistema que nega atendimento e ceifa vidas com burocracia?”, escreveu. A postagem gerou repercussão e reacendeu o debate sobre a situação da saúde pública em São Pedro da Aldeia.
Entenda o caso
Jorge deu entrada na unidade no início de maio, apresentando dores intensas, dormência e pressão alta. Segundo Isabella, médicos minimizaram os sintomas, atribuindo o quadro a estresse e ansiedade. “Eles diziam que era psicológico. Só faltaram falar que ele estava fingindo”, conta. Após dias de internação, a família conseguiu na Justiça uma liminar determinando a transferência do paciente, mas a remoção só aconteceu quando ele já estava em estado gravíssimo. Jorge morreu no dia 14 de maio.
População critica sistema de saúde na cidade
No mesmo período, o Portal Fontecerta.com visitou o Pronto-Socorro e encontrou filas extensas, pacientes aguardando por horas, relatos de descaso e carência de exames especializados. Diversos moradores disseram ter casos semelhantes, em que o atendimento só foi garantido após ações judiciais. Procurada, a Prefeitura informou na ocasião, que a gestão municipal não tem controle sobre o SER, operado pelo Governo do Estado. Também atribuiu o aumento da demanda ao atendimento de pacientes de cidades vizinhas.


