Chuvas acendem alerta sobre possível aumento de casos de dengue na Região dos Lagos

Agente de combate a endemias na vigilância de casos da dengue em Búzios
Agente de combate a endemias atua na vigilância de casos da dengue | Foto: Prefeitura de Búzios/Divulgação

As chuvas intermitentes e as altas temperaturas que o Verão proporciona são a receita para a incidência do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. Os temporais que caem sobre a Região dos Lagos nas últimas semanas acendem um alerta sobre possível aumento do número de casos da doença. Apesar de números baixos na Baixada Litorânea, o estado do Rio teve quase 17,5 mil casos prováveis em 2024

Em entrevista ao Portal Fontecerta.com, a infectologista Apparecida Castorina lembrou que o Brasil detém mais de 50% do número de casos de dengue no mundo. “De acordo com a Organização Mundial, dos 5 milhões de casos registrados no ano de 2023, quase 3 milhões estão no Brasil. As alterações climáticas provocadas principalmente pelo fenômeno El Niño e pelo aquecimento global contribuem para infestações do Aedes aegypti”, explicou.

De acordo com o Governo do Estado, os 17.437 casos prováveis de dengue nas quatro primeiras semanas de 2024 são muito superiores aos de 2023, quando foram 1.441 registros de dengue no Rio. Os números constam no boletim Panorama da Dengue, que a secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) divulgou nesta quarta-feira (31). Nesse sentido, duas pessoas morreram com a doença em janeiro deste ano. Uma mulher, de 98 anos, em Itatiaia; e um homem, de 33 anos, em Mangaratiba.

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Cenário da dengue na Região dos Lagos

Nas cidades da Região dos Lagos, ainda não se nota um aumento expressivo de casos de dengue neste ano. Em São Pedro da Aldeia, por exemplo, foram 20 registro da doença até o momento. De acordo com a Prefeitura, nenhum com gravidade. Os pacientes com suspeita de contaminação podem se dirigir aos postos de saúde ou ao Pronto-Socorro Municipal.

O município informou que como forma de prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti, seus agentes de endemias realizam trabalhos periódicos de controle, verificações e orientações à população.

Enquanto isso, Cabo Frio teve 12 registros de dengue até 29 de janeiro. O número representa uma queda com relação às 16 pessoas com a doença que o município teve em janeiro de 2023. No ano passado, Cabo Frio registrou 300 casos de dengue com 18 Internações.

Já em Araruama, até agora, foram três casos confirmados de dengue. Com 13 notificações de suspeitas, o município já teve três resultados negativos e aguarda outras sete análises. No ano passado, Araruama registrou 26 testes positivos para a doença. No entanto, de um total de 167 notificações, 43 suspeitas não tiveram coletas e três exames foram “inconclusivos”.

De acordo com a Prefeitura de Arraial do Cabo, em janeiro de 2024, o município também registrou três casos de dengue. Desses, dois eram pacientes do rio de janeiro.

“Considerando o caráter sazonal da dengue no país, intensificamos os mecanismos de detecção de casos, notificação e fortalecemos a rede de comunicação entre os órgãos da saúde para favorecer a testagem, o atendimento dos pacientes com suspeita de dengue e as ações de controle de vetores”, declarou Camila Nunes, coordenadora da Vigilância em Saúde de Arraial do Cabo.

Além disso, Búzios também está entre as cidades com o menor número de casos prováveis na Baixada Litorânea, com três registros nas primeiras semanas de 2024.

Casos de dengue estão mais próximos às divisas com Minas e São Paulo

De acordo com o Boletim da Dengue do Estado do Rio de Janeiro, a doença avança com maior velocidade em cidades menores e mais próximas aos estados de Minas Gerais e São Paulo. Na Região Serrana, o número de casos está 14 vezes acima do esperado para o período. Enquanto isso, na Metropolitana, dez vezes maior. Já na Baía de Ilha Grande e no Centro-Sul Fluminense, são nove vezes mais casos do que o esperado.

Dos 92 municípios fluminenses, 14 apresentam taxa de incidência acima de 500 casos por 100 mil habitantes. Os destaques são Itatiaia, Cambuci, Resende e Piraí. Das nove regiões de saúde do estado, apenas uma não apresenta casos além do limite máximo esperado para o início do ano: a Metropolitana II, onde estão sete municípios, incluindo Niterói, São Gonçalo e Silva Jardim.

“Os números estão altos e ainda continuam subindo rapidamente. Historicamente, os casos costumam aumentar no fim do primeiro trimestre e caem a partir de maio, junho. Mesmo que a gente esteja diante de uma antecipação dessa curva de crescimento, o que indicaria uma possibilidade de a queda também acontecer mais cedo, os dados são um sinal de alerta. As pessoas devem evitar a automedicação e procurar atendimento médico aos primeiros sintomas, principalmente se apresentarem febre”, orientou a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello.

Atenção aos sintomas da dengue

A médica Apparecida Castorina lembrou que os sintomas clássicos da dengue seriam a febre, a dor no corpo e, principalmente, a exantema, aquelas pintinhas na pele. “Mas a gente tem que estar alerta para sintomas diferenciados, como enjoo e diarreia, que também podem estar associados à dengue”, pontuou.

De acordo com a infectologista, que tem mais de 30 anos de atuação em Cabo Frio, o maior alerta quanto à dengue deveria ser em função do hematócrito. “A sensação de que o indivíduo está aumentando o número de glóbulos vermelhos, quando, na realidade, existe uma desidratação. Essa desidratação que é responsável pela gravidade do quadro, que leva a inúmeras complicações”, alertou a médica.

Nesse sentido, a profissional da saúde pontua a importância da atenção da população. “Então, cuidar das águas paradas, consequência dessas chuvas intermitentes, é de suma importância. Você investiga a tua residência, aos terrenos baldios no teu entorno, conversa com o teu vizinho. Isso tudo são questões importantes para a gente tentar minimizar esse aumento dos casos de dengue”, declarou.

Com relação à vacina, Apparecida lembra que o imunizante está chegando em pouca quantidade. “Antes de 4 anos, a efetividade dela foi muito pequena, não valendo a pena o seu uso. Acima de 60 anos, a efetividade também é muito pequena, não valendo a pena seu uso. Menos de 10% do número de municípios do Brasil serão beneficiados pela vacina da dengue. Então, não é o mais importante no momento. O mais importante são os cuidados para evitar o vírus, através de evitar a proliferação do Aedes aegypsi, seu vetor”, finalizou a médica.

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