Comerciantes do balneário de Búzios suspenderam as atividades por duas horas na manhã desta quarta-feira (30) em protesto contra possíveis mudanças no fundeio de navios de cruzeiro, que podem restringir a atracação dessas embarcações na cidade. O ato foi articulado pela Associação do Centro Turístico de Búzios (ACTB) e reuniu mais de 40 estabelecimentos das regiões do Centro, bairro dos Ossos e áreas próximas. Sob o lema “Vamos fechar por duas horas para não fechar para sempre”, os comerciantes alertaram para os impactos econômicos que eventuais restrições podem causar.
A mobilização aconteceu poucas horas antes da audiência pública marcada para as 14h, na Praça Santos Dumont, no Centro. A sessão foi convocada após decisão da juíza federal Monica Lúcia do Nascimento Alcântara Botelho, no âmbito de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que questiona o atual licenciamento ambiental e exige alterações na forma como os navios atracam em Búzios.
Entenda o caso
Um dos principais pontos em discussão é a exigência de instalação de boias de amarração para substituir o fundeio livre, atualmente adotado pelos cruzeiros que visitam o município. Segundo especialistas, as boias sugeridas suportam apenas 6 mil toneladas, enquanto os transatlânticos que operam na região chegam a ultrapassar 180 mil toneladas. A adequação exigiria a construção de fundações náuticas profundas, com investimentos estimados em dezenas de milhões de reais, além de custos elevados de manutenção.
Turismo de cruzeiros movimenta a economia
A preocupação dos comerciantes se justifica pelos números. De acordo com a Prefeitura de Búzios, a temporada 2024/2025 foi encerrada no último dia 16 de abril com a chegada do último navio da estação. Ao todo, cerca de 100 escalas foram registradas desde outubro de 2024, com embarcações que trazem até 5 mil pessoas entre passageiros e tripulantes. O fluxo gerou aproximadamente meio milhão de visitantes.
A estimativa oficial é de que R$ 13 milhões foram injetados na economia local, com um gasto médio de R$ 750 por visitante — valor que abrange alimentação, comércio, transporte, passeios turísticos e hospedagem.
Com a indefinição sobre o futuro da atividade, a ACTB não descarta novas paralisações. Empresários afirmam que a redução ou suspensão das escalas pode comprometer empregos e a estabilidade financeira do comércio local, especialmente de pequenos negócios que dependem diretamente do fluxo de turistas trazido pelos navios.


