Da Rota do Sal à emancipação: a história por trás do desenvolvimento de Iguaba Grande, a princesinha da Região dos Lagos

Município completa 30 anos de emancipação político-administrativa neste domingo (8)

Foto: Reprodução/ Internet

O município de Iguaba Grande completa 30 anos de emancipação político-administrativa neste domingo (8). Conhecida como a “Princesinha da Região dos Lagos”, ao longo dos últimos anos, a cidade despontou em desenvolvimento e avanços. Sua história independente começou em 1995, e o portal Fontecerta.com conversou com o historiador e presidente do Instituto Histórico de Iguaba Grande, Elias Marinho, para entender os aspectos sociais que favoreceram a emancipação na época.

Segundo o pesquisador, a história do desenvolvimento de Iguaba Grande começa em 1888, quando a localidade foi elevada à categoria de Freguesia e passou a ser considerada distrito de São Pedro da Aldeia – que ainda pertencia a Cabo Frio. Impulsionado pela atividade agrícola, pesca, e pelas produções de cal e sal, já na época, o município gerava grande movimentação econômica para a Região dos Lagos. E a possibilidade de independência surgiu cedo, em 1915, com a chegada da ferrovia da Estrada de Maricá.

Elias explica que, através do transporte de mercadorias e pessoas, Iguaba Grande passou a ser reconhecida como local de importância e interesse comercial na Região dos Lagos. Apesar da geração significativa de receita, foi devido ao destaque econômico que a emancipação se tornou um processo demorado. “Naquele tempo, Iguaba Grande só não conseguia se emancipar por um motivo: era o distrito que mais arrecadava. São Pedro da Aldeia quase não investia para que a localidade não crescesse e permanecesse dependente. Além disso, as lideranças da época buscavam sempre um vice-prefeito do distrito, o que fazia com que os líderes políticos não se unissem pela emancipação.”, contou Elias.

Até a década de 1937, a Estação Ferroviária de Iguaba foi o último ponto da Estrada do Sal, e o então distrito era responsável por fazer a distribuição de mercadorias para toda a Região dos Lagos. Com o encerramento das atividades da ferrovia, em 1962, a princesinha da Região teve uma queda expressiva de desenvolvimento e arrecadação financeira. Mas, segundo Elias Marinho, a adversidade durou pouco.

Destaque turístico motivou aumento do interesse pela emancipação

Através do crescimento do interesse turístico e retorno do investimento nas primeiras atividades econômicas, o faturamento de Iguaba Grande voltou a aumentar. “Naquele tempo, Iguaba ainda contava com salinas em operação, produção de cal, engenho de farinha, além de uma agricultura e pecuária bastante expressivas. Também havia um crescente movimento turístico, que gerava receita significativa. Na época da emancipação, a nossa principal característica era o turismo, que ficou muito forte devido à qualidade da água da Lagoa e o investimento em construções civis.”, destacou.

Ainda de acordo com o historiador, foram a volta do crescimento do arrecadamento e a falta de melhorias que motivaram o início do movimento em prol da emancipação, em 1988. As mobilizações resultaram na solicitação da emancipação, entregue à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), em 1990. E foram mais quatro anos de espera para que, no dia 13 de março de 1994, acontecesse o plebiscito. A votação contou com a presença de 94% da população e a emancipação de Iguaba Grande foi aprovada por 93,6% da população.

Elias afirma que, após 30 anos de emancipação político-administrativa e a passagem de sete prefeitos pela administração municipal, o desenvolvimento é claro, mas foi a partir do governo de Vantoil Martins que o município começou a criar uma maior maturidade.

“Quando a cidade teve o seu primeiro governo, não havia uma estrutura própria, então foram criando algumas estruturas alugadas. Nos últimos anos, a cidade vem se desenvolvendo, com grandes investimentos em infraestrutura, pavimentação, atrativos turísticos e comércio, e começa a criar mais estrutura, saindo de prédios alugados para prédios próprios.”, observou o historiador.

Em entrevista ao portal Fontecerta.com nesta sexta-feira (6), o primeiro prefeito de Iguaba e um dos articuladores da emancipação, Hugo Canelas, contou que o primeiro mandado foi um período de implementação e que, agora, é que vem o desenvolvimento. Ainda segundo o ex-prefeito, o município tem tudo para continuar crescendo nos próximos anos.

“Vai dar certo. Já está dando. Desde que o povo continue escolhendo bem seus governantes, como fez com o Vantoil Martins e agora com o Fábio. A responsabilidade começa nas urnas.”, afirmou Hugo Canelas sobre o futuro de Iguaba Grande.

FacebookWhatsAppTelegramXThreads