O Fórum Cultural de São Pedro da Aldeia deve acionar a Justiça após o cancelamento do evento “Música na Praça”, que aconteceria nesta sexta-feira (1º), em comemoração ao Dia do Trabalhador. A decisão, que retirou da programação uma roda de samba com o projeto “Samba é Vida”, gerou revolta entre artistas e agentes culturais do município.
Segundo integrantes do Fórum, o caso levanta questionamentos sobre possível uso da estrutura pública e violação ao princípio da diversidade cultural. O grupo também articula a emissão de uma nota de repúdio diante da mudança, considerada inesperada e sem qualquer explicação oficial até o momento.
A alteração na agenda chamou atenção pela forma como ocorreu. Enquanto o evento cultural vinha sendo divulgado desde o início da semana nas redes sociais da Prefeitura e já constava na programação com antecedência, o novo evento — a “Marcha para Jesus” — foi anunciado apenas na véspera, também pelos canais oficiais.
Prevista para acontecer na Praça Agenor Santos, no Centro, a roda de samba integrava uma programação vinculada ao Edital de Chamamento Público nº 11/2025, lançado pela Secretaria Municipal de Cultura para contratação de atrações artísticas ao longo de 2026.
No lugar, foi confirmada a realização da “Marcha para Jesus”, evento de cunho religioso com apoio da Secretaria Municipal de Turismo e presença anunciada do ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella.
Entre trabalhadores da cultura, o sentimento é de frustração e desrespeito, sobretudo pela escolha da data e pela ausência de diálogo com a classe artística. “Cancelar um evento cultural já previsto para colocar outro no lugar, ainda mais com viés político, é um desrespeito com quem vive da cultura e com o próprio público”, afirma um artista que preferiu não se identificar.
Outro posicionamento reforça a crítica: “Nada contra religião ou crença, mas somos um país laico. O problema é cancelar um evento já programado para substituir por outro. Isso é um absurdo”.
A repercussão se intensifica por atingir diretamente uma data simbólica. Para os artistas, o Dia do Trabalhador deveria valorizar manifestações populares como o samba, especialmente em um cenário onde a oferta cultural no município já é considerada limitada. “É de maltratar. O trabalhador já enfrenta tanta dificuldade e ainda vê um espaço como esse ser retirado sem qualquer justificativa”, diz outro integrante do setor.
Procurada, a Prefeitura de São Pedro da Aldeia não se pronunciou sobre o caso até a publicação desta matéria.


