O Brasil celebra nesta segunda-feira (2) o Dia Nacional do Samba, data criada após o Primeiro Congresso Nacional do Samba, realizado em 1962, marco na valorização do gênero como expressão artística e cultural. Embora também seja lembrado como homenagem ao compositor Ary Barroso, o samba tem raízes muito mais antigas e plurais. Nasceu da resistência, das religiosidades afro-brasileiras, das comunidades negras e, sobretudo, da força de personagens como Tia Ciata, referência fundamental na formação das primeiras rodas do Rio de Janeiro e, consequentemente, do samba moderno.
Nomes como Pixinguinha, Cartola, Noel Rosa, Nelson Cavaquinho, Dona Ivone Lara e Clementina de Jesus compõem essa linhagem de mestres que moldaram o que o samba representa hoje.
A Região dos Lagos carregam uma trajetória singular dentro do samba e da música popular brasileira. Um misto de tradição, memória e potência cultural. Para o secretário municipal de Cultura de Cabo Frio, Carlos Ernesto, essa identidade foi construída ao longo de muitas décadas. “Cabo Frio tem uma história fantástica dentro do samba, que começa lá atrás com os ranchos, passa pelo trabalho dos salineiros e chega às escolas de samba. Essa continuidade ajudou a formar um cenário cultural muito rico. O mais importante é manter viva essa manifestação, que leva alegria para tantos lugares do mundo.”

Segundo ele, o município sempre foi um polo criativo, influenciado pela chegada de músicos, carnavalescos e compositores que encontraram na cidade um espaço fértil para desenvolver seus trabalhos.
Rodas de samba e nova cena cultural
Na última década, o samba ganhou ainda mais força, impulsionado por projetos que ajudaram a levar o gênero para as ruas. Um deles é o Santo Samba, promovido pela produtora cultural e professora Luciana Branco, que acompanha de perto essa transformação. “Quando começamos, não existia tradição de roda de samba na rua. Havia música ao vivo em bares e blocos de carnaval, mas roda de samba, não”, conta.

Hoje, a região vive uma das fases mais efervescentes do samba, com encontros que atraem grande público em várias cidades. Entre as rodas e grupos ativos estão o Nosso Samba; Samba de Terça, Quintal do Chapoquinha, Roda do Quilombo e Samba das Amélias, entre outros, além de grupos em programações em Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Arraial do Cabo e Búzios. “O samba virou identidade, virou cultura da rua, das feiras, das praças e dos eventos”, resume Luciana.
A relação do samba com a região também é marcada por encontros históricos e afetivos. O Clube do Choro de Cabo Frio, que também tocava samba e era reduto de música de qualidade. Beth Carvalho foi responsável por reunir adeptos a arte nas famosas rodas. Esses registros ajudam a contar a história de uma região que não apenas consome samba mas o produz, transforma e devolve para o Brasil com sotaque próprio. “Cabo Frio é berço. Essa região é berço.”, conclui Luciana.

