Projeto de Monitoramento de Praias do Instituto Albatroz completa quatro meses de atuação na Região dos Lagos

Até agora, 217 animais foram resgatados pelo Albatroz. Foto: Eduardo Pimenta

O Projeto de Monitoramento de Praias (PMPs), realizado pelo Instituto Albatroz na Região dos Lagos, completa quatro meses nesta quinta-feira (10). Com atuação diária em 25 praias localizadas em Búzios, Cabo Frio e Arraial do Cabo, o projeto já resgatou 217 animais na Região dos Lagos e realizou a soltura de 18, incluindo um grupo composto por 8 pinguins..

Criado pela Petrobras, o programa tem como objetivo cumprir condições específicas do licenciamento ambiental federal e são realizadas em dez estados do litoral brasileiro, cobrindo mais de três mil quilômetros de praias em áreas de abrangência da Petrobras. As atividades do projeto incluem o resgate, a reabilitação e a liberação de mamíferos, tartarugas e aves marinhas, buscando a conservação da biodiversidade marinha.

Na Região dos Lagos, as ações acontecem nas praias da Rasa, Armação, Tartaruga, Manguinhos sul, Manguinhos norte, Gorda, João Fernandinho, João Fernandes, Azedinha, Azeda, Ossos, Brava, Forno, Foca, Ferradura, Tucuns, Geribá e Ferradurinha, localizadas em Búzios; nas praias do Forno, Anjos e Prainha, em Arraial do Cabo; e nas praias do Peró, Forte, Unamar e Foguete, em Cabo Frio.

Logo nas primeiras horas da manhã, os técnicos e monitores realizam os trajetos a pé, de bicicleta ou quadriciclo. De acordo com o Instituto, frequentemente surgem animais lesionados nos mares da Região dos Lagos. As lesões costumam ser provocadas por colisões com embarcações, interações com petrechos de pesca, ou danos relacionados à ingestão de resíduos sólidos (plástico, em especial). Quando encontrados, independente da situação em que estejam, os animais são resgatados e encaminhados para tratamento e os mortos para necropsia no Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD) temporário que, atualmente, funciona na Praia Seca, em Araruama.

Segundo a assessoria do Instituto Albatroz, os resgates podem ser feitos de diversas maneiras, dependendo do tipo de animal e do grau de debilitação. “Usamos sempre os EPIs obrigatórios como luva e máscara, mas, também havendo necessidade ou maior risco, pode-se utilizar o tyvec (macacão), óculos de proteção, entre outros. Para a captura, utilizamos toalhas, puçás, escudos (no caso de mamíferos) e caixas de transporte adequadas para o tamanho do animal.”, conta.

Após o processo de reabilitação, os animais são liberados na natureza. O Instituto Albatroz afirma que a maior parte deles são anilhados para facilitar seu acompanhamento futuro, caso sejam encontrados em outras regiões; os pinguins, especificamente, recebem nanochips subcutâneos ao invés de anilhas de marcação, com chips. A última soltura aconteceu nesta quarta-feira (9).

Saiba quais espécies foram encontradas nestes 4 meses:

Neste 4 meses, foram encontradas 21 espécies, sendo 15 espécies de aves, 5 de tartarugas e 1 espécie mamífera.

Entre as aves, estão: Anous stolidus (trinta-réis), Calonectris diomedea borealis ( pardela-de-bico-amarelo), Fregata magnificens (fragata ou tesourão), Larus dominicanus (gaivotão) Phalacrocorax brasilianus (biguá), Procellaria aequinoctialis (pardela-preta), Pterodroma mollis (grazina-delicada), Puffinus puffinus ( pardela-sombria), Spheniscus magellanicus (pinguim-de-magalhães), Sterna hirundinacea (trinta-réis-de-bico-vermelho), Sula leucogaster (atobá), Thalassarche chlororhynchos (albatroz-de-nariz-amarelo), Thalassarche melanophris (albatroz-de-sobrancelha) e Thalasseus acuflavidus (Trinta-réis-de-bando).

Já entre as tartarugas, foram encontradas Caretta caretta (tartaruga-cabeçuda), Chelonia mydas (tartaruga-verde), Dermochelis coriacea (tartaruga-de-couro), Eretmochelys imbricata (tartaruga-de-pente) e Lepidochelys olivacea (tartaruga-oliva).

A única espécie mamífera encontrada foi o arctocephalus tropicalis (lobo-marinho-sub-antártico).

Intensificação dos trabalhos para a alta temporada

O Instituto Albatroz afirma que o PMP atua de forma regular 365 dias por ano. Com a alta temporada chegando, o aumento da presença de pessoas nas praias é inevitável. Por isso, em setembro, o instituto deu início à distribuição de cartazes com o telefone de resgate (0800 991 4800) pelas praias onde atua. O material está sendo fixado em quiosques, postos de guarda-vidas, pousadas, hotéis, comércios e banheiros públicos à beira-mar.

“No verão, os acionamentos feitos pela população se intensificam, porém, nossa equipe está preparada e equipada para atender ao aumento no número de acionamentos.” garantiu.

Ainda segundo o grupo, o Projeto de Monitoramento de Praias na Região dos Lagos desempenha um papel crucial na proteção do ambiente marinho e na promoção de uma convivência harmoniosa e sustentável entre as atividades humanas e a natureza.

“A Região dos Lagos, conhecida por sua diversidade biológica e beleza natural, abarca uma porção significativa da zona costeira brasileira que é tanto turística quanto ecologicamente sensível.” afirmou o Instituto Albatroz.

Em caso de avistamento de animais marinhos, o Instituto Albatroz deve ser acionado através do número de telefone: 0800 991 4800

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