Um total de 48 animais foram resgatados em 25 praias da Região dos Lagos, monitoradas pelo Projeto de Monitoramento de Praias que atua em Cabo Frio, Arraial do Cabo e Búzios, e juntos os municípios somam 54 quilômetros de litoral de responsabilidade do Instituto Albatroz. A ação que começou no início de junho é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama.
Segundo o Instituto Albatroz, entre os 48 animais resgatados, aves marinhas e tartarugas foram recolhidos, sendo 17 vivos e 31 mortos. Dentre os vivos, estão cinco pinguins-de-Magalhães, que foram resgatados nas areias das praias de Cabo Frio, Búzios e Arraial do Cabo.

Nesta época do ano, o Instituto Albatroz explica que os pinguins estão em migração, em busca de águas mais quentes, e muitas vezes vão parar nas areias das praias por conta de cansaço extremo ou por estarem doentes. A instituição aponta que nestes casos, e também nos casos de tartarugas e outras espécies de aves marinhas, os banhistas devem acionar o PMP através do telefone 0800 991 4800.
Entre os animais resgatados está também um albatroz, ave símbolo da instituição. O animal está em reabilitação e será reintegrado à natureza, assim como os outros animais em recuperação, de acordo com o Instituto Albatroz.

O monitoramento dos animais é feito diariamente a pé e em quadriciclos por técnicos e monitores. Durante a atividade, aves e tartarugas marinhas encontradas vivas pelas equipes de campo são encaminhadas para o Centro de Reabilitação e Despetrolização – CRD da fase de transição, em Araruama, também sob responsabilidade do Instituto Albatroz.
Já os animais encontrados sem vida também seguem para o CRD, onde são submetidos à necropsia para que a causa da morte seja determinada, quando possível.
Centro de Reabilitação e Despetrolização
No CRD, os animais passam por tratamento e são reavaliados para atestar se estão aptos a serem soltos, o que ocorre após a marcação com anilhas metálicas. Isso, segundo a ONG, permite o acompanhamento caso o animal apareça novamente, mesmo em outra região. O CRD conta com uma equipe formada por médicos veterinários e tratadores.
Em animais mortos é realizada necropsia para identificar a causa da morte e avaliar se houve interação com atividades humanas, como embarcações, petrechos de pesca ou ingestão de lixo plástico.
Sobre o Projeto de Monitoramento de Praias
O Projeto de Monitoramento de Praias – PMP está inserido em quatro núcleos, atuando nas bacias de Santos, Campos e Espírito Santo (onde está inserida a Região dos Lagos), Sergipe-Alagoas e Potiguar. Eles abrangem o litoral de dez estados, somando três mil quilômetros de costa brasileira.
A ação, segundo o Instituto Albatroz, tem como objetivo avaliar possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo e gás sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos encontrados mortos.
A coleta desses dados fornece informações valiosas sobre essas espécies, o que contribui para a formulação de políticas públicas voltadas à conservação da biodiversidade marinha.
O PMP foi desenvolvido para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural, conduzido pela Coordenação Geral de Licenciamento Ambiental de Empreendimentos Marinhos e Costeiros – CGMAC da Diretoria de Licenciamento Ambiental – DILIC do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA.
Sobre o Instituto Albatroz
O Instituto Albatroz é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – Oscip que desde 2003 trabalha em parceria com o poder público, empresas pesqueiras e pescadores para a conservação de albatrozes e petréis que se alimentam em águas brasileiras. O Instituto Albatroz coordena o Projeto Albatroz, que atualmente conta com bases em Cabo Frio, desde 2014, e mais três estados do Brasil.


