Diante da polêmica que ganhou força nas redes sociais nos últimos dias, o especialista em columbofilia, Enaldo Silva, negou que os pombos soltos em uma competição esportiva, no início de junho, sejam os mesmos que agora circulam em maior número pelas ruas de São Pedro da Aldeia. A suspeita surgiu após moradores relatarem por meio das redes sociais um aumento repentino na população de aves, principalmente em praças e áreas urbanas.
A cena que originou a discussão ocorreu na orla da Praia do Centro no dia 1º de junho e chamou atenção de quem estava por perto: milhares de pombos foram soltos ao mesmo tempo como parte de uma prova de columbofilia — modalidade esportiva que treina pombos-correio para percorrer longas distâncias até seu pombal de origem. No caso, o destino das aves era Campos dos Goytacazes, a mais de 180 quilômetros de distância.
O espetáculo gerou curiosidade, mas dias depois passou a ser alvo de críticas. Vídeos começaram a circular nas redes, com moradores associando o evento ao suposto aumento de pombos urbanos. A repercussão levou criadores da modalidade a esclarecer a situação.
Segundo Enaldo Silva, criador experiente e fundador da Confederação Brasileira de Colombofilia, não há relação entre as aves soltas e as que agora frequentam as praças da cidade. “As pessoas estão confundindo pombos de rua com pombos-correio. Nossos pombos são treinados, identificados com anilhas e preparados para voltar ao pombal. O que tem nas ruas são pombos urbanos, que já estavam ali muito antes da competição”, afirma.
A diferença, diz ele, é visível. Os pombos-correio carregam na pata uma anilha numerada que serve como identificação oficial. Também têm porte físico mais robusto e são cuidados com alimentação específica, vacinas e acompanhamento veterinário. “É só observar: os pombos que estão pelas praças não têm anilha, não são nossos”, reforça.
Para o criador, a percepção de aumento pode ser explicada por um fenômeno comum: “Se alguém te pergunta quantos carros vermelhos você viu hoje, talvez diga nenhum. Mas, depois disso, vai começar a reparar em todos. Com os pombos, é o mesmo efeito.”
A columbofilia é reconhecida pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e praticada em diversos estados. Embora no Brasil ainda seja considerada um hobby, em países europeus é um esporte de alto desempenho, com federações, regulamentos e calendários de competições.
Enaldo admite que, em alguns casos, os pombos podem se perder, vítimas de predadores ou desorientação, mas garante que a taxa de retorno é alta. “Se nada acontecer, eles voltam. É o instinto natural da espécie.”


