A polêmica sobre o uso de carros oficiais pela Câmara Municipal de São Pedro da Aldeia saiu do papel e virou um vale-tudo nas redes sociais. O que deveria ser um debate sobre transparência e uso adequado do dinheiro público se transformou em uma festa de acusações entre vereadores, com direito a gritos de “fake news”, contra-ataques e muito barulho, mas pouca explicação.
No centro da confusão está o vereador Pedro Abreu, que acumula 16 multas de trânsito desde que recebeu o veículo oficial em setembro de 2025. Em vez de explicar as infrações ou esclarecer o uso do carro, Pedro Abreu adotou a estratégia clássica: negar tudo e atacar os outros. Novas informações revelaram que uma das multas de Pedro Abreu aconteceu no dia 1º de fevereiro de 2026, por volta das 21h41, no viaduto São Sebastião com a Rua Benedito, região do entorno do Sambódromo do Rio de Janeiro. A data chama atenção: semanas antes do Carnaval, quando aconteciam os ensaios técnicos das escolas de samba.
Somada às outras duas infrações de madrugada já conhecidas, uma às 02h31 na BR-101 em Itaboraí e outra às 03h19 no Centro do Rio, a multa próxima ao Sambódromo levanta ainda mais dúvidas sobre o uso do veículo oficial. A resposta de Pedro Abreu? Comentários nas redes sociais repetindo a palavra “fake” sem apresentar uma única prova, documento ou justificativa que desminta as informações. Nenhum extrato do Detran, nenhum comprovante, nenhuma explicação objetiva. Apenas negação.
Se a estratégia de negar não estava funcionando, Pedro Abreu partiu para o contra-ataque. O alvo da vez foi o vereador Jackson Souza. Entre os dias 16 e 18 de janeiro, durante um festival em Cabo Frio, o carro oficial de Jackson Souza foi filmado no evento. Pedro Abreu usou as imagens para desviar o foco da própria situação e apontar o dedo para o colega. Mas não parou por aí. Documentos mostram que o veículo de Jackson Souza também recebeu uma multa no dia 1º de novembro de 2025 na RJ-130, rodovia que liga Nova Friburgo a Teresópolis, por trafegar em velocidade superior à permitida. A diferença? Jackson Souza não saiu gritando “fake news” nas redes sociais. Mas também não explicou o que estava fazendo na serra fluminense com o carro oficial de São Pedro da Aldeia.
Enquanto Pedro Abreu ataca e Jackson Souza foi colocado na berlinda, outro nome segue em silêncio absoluto: o vereador Paulo Santana. Flagrado usando o veículo oficial em uma ação de evangelização durante o período de Carnaval na RJ-140, Paulo Santana simplesmente desapareceu do debate público. Nenhuma postagem, nenhum comentário, nenhuma explicação sobre o uso do carro para fins religiosos. O silêncio, nesse caso, fala tão alto quanto os gritos de “fake news” de Pedro Abreu.
Pressionado pela repercussão do caso, o presidente da Câmara, vereador Jean Pierre, divulgou uma nota oficial no dia 13 de março informando que “todas as medidas administrativas cabíveis já estão sendo adotadas” e que procedimentos para apuração dos fatos foram instaurados. A nota também revela que, nos dias 9 e 13 de fevereiro, a Presidência enviou ofícios aos gabinetes determinando que todas as multas sejam pagas pelos vereadores responsáveis “sem qualquer prejuízo aos cofres públicos”.
Jean Pierre também foi alvo de tentativas de desvio de foco. Circulou nas redes sociais um vídeo mostrando um carro oficial supostamente sendo usado por um assessor para levar o filho à escola. Porém, as imagens não permitem identificar quem está dentro do veículo nem qual era o destino. O carro apenas trafega pela rodovia. Acusar sem provas virou a tônica do debate.
A festa de acusações pode render muitos comentários nas redes sociais, mas não resolve o problema central: a falta de controle, fiscalização e transparência sobre o uso dos carros oficiais. A população de São Pedro da Aldeia não quer saber quem grita mais alto ou quem acusa melhor.

