31 anos: emancipação mudou o destino de Iguaba Grande

Movimento abriu caminho para fase de crescimento e autonomia vivida pela região, afirma pesquisador

Movimento abriu caminho para fase de crescimento e autonomia vivida pela região, afirma pesquisador

A cidade de Iguaba Grande completa 31 anos de emancipação político-administrativa nesta segunda-feira (8). O município, que até 1995 era o segundo distrito de São Pedro da Aldeia, nasceu cercado por dúvidas e desafios, mas transformou a aposta dos moradores em uma história de crescimento e desenvolvimento que mudou para sempre os rumos da cidade.

Antes da emancipação, Iguaba Grande já possuía uma economia ativa, impulsionada principalmente pelo turismo ligado à Lagoa de Araruama, pelo comércio e pela agricultura. Apesar disso, muitos moradores acreditavam que o distrito recebia menos investimentos do que merecia em comparação à importância econômica que tinha para São Pedro da Aldeia.

Segundo o pesquisador e vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Iguaba Grande, Elias Marinho, o sentimento de insatisfação foi um dos principais combustíveis para o surgimento do movimento emancipacionista. “Existia uma indignação porque Iguaba gerava muita renda, mas recebia pouco em infraestrutura e serviços públicos. Isso fez crescer o desejo de independência”, explica.

O início da emancipação

Embora o desejo de emancipação fosse antigo, a mobilização ganhou força após as eleições municipais de 1988. Segundo Elias, lideranças comunitárias, comerciantes, associações de moradores e representantes de diversos segmentos da sociedade começaram a se reunir para discutir a viabilidade da criação do novo município.

No início, a proposta ainda era vista com desconfiança por parte da população. Mas o movimento cresceu nos anos seguintes. “Muita gente tinha medo. Havia quem acreditasse que Iguaba não conseguiria sobreviver sozinha, que faltariam recursos para manter a cidade funcionando”, lembra Elias.

Mesmo diante das dúvidas e obstáculos, a campanha foi conquistando apoio popular e a mobilização continuou. Para viabilizar a mudança, foram realizadas campanhas de conscientização, coleta de assinaturas e mobilizações junto à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). 

Ainda de acordo com Elias, o tema dominava as conversas nas ruas, nos comércios e nas reuniões de bairro. “Todo mundo falava sobre a emancipação. Existia uma esperança muito grande de que a cidade pudesse construir um futuro melhor”, recorda.

E quando a consulta popular foi finalmente realizada, em 13 de março de 1994, o resultado demonstrou a força do desejo de independência. Cerca de 94% dos eleitores votaram a favor da emancipação.

08 de junho de 1995 , data em que o Governador Marcelo Alencar assina a lei de criação do município. (Foto: Instituto Histórico Geográfico e Ambiental de Iguaba Grande)

A transformação

A conquista da autonomia trouxe também uma série de desafios. No início, as prioridades eram básicas: manter a cidade limpa, garantir o funcionamento dos serviços públicos e organizar a nova máquina administrativa, que não tinha sede própria. 

“Foi um período muito difícil. Tudo precisava ser construído ao mesmo tempo”, afirma o pesquisador, que destaca que essa realidade já é distante da que a cidade vive hoje.

Segundo Elias, a ampliação da infraestrutura urbana, os investimentos em saúde, educação, segurança e mobilidade, ajudaram a impulsionar o desenvolvimento do município. Hoje, a cidade se posiciona entre as que mais crescem na Região dos Lagos, atraindo novos moradores, empreendimentos e investimentos.

Para o pesquisador, o município vive um momento de concretização dos objetivos que motivaram a luta pela emancipação.

“Hoje eu vejo que valeu a pena acreditar. A emancipação mudou o destino da cidade e a gente tem vivido isso todos os dias com o crescimento que Iguaba vem tendo. Permitiu que a gente construísse nossa própria história”, afirma.

Iguaba Grande em 2024 (Foto: PMIG)

Celebrando o presente de olho no futuro

Passados 31 anos da instalação do município, os desafios já não são os mesmos enfrentados na década de 1990. Agora, a preocupação, de acordo com o pesquisador e morador da cidade de Iguaba Grande, é ver o crescimento acontecer de forma planejada, preservando características que fazem parte da identidade local e a relação histórica com a Lagoa de Araruama.

Para o futuro, a expectativa é positiva, mas acompanhada da necessidade de comprometimento e muito trabalho:

“Hoje é outro momento. A emancipação aconteceu, nós estamos crescendo como cidade da região e, agora, o desejo é que a gente busque preservar nossas características. Antes [da emancipação], a Lagoa já foi o que impulsionava o nosso turismo, e até hoje é parte da nossa tradição e a gente tem que trabalhar pra preservar isso. A nossa esperança é que Iguaba cresça, mas não perca a suas características.”, finalizou o Elias.

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