Direto da Fonte | Estado do Rio vive vácuo de poder com interino do Judiciário

Desembargador Ricardo Couto assume após renúncia de Castro, enquanto disputa no STF redefine regras da eleição indireta

Desembargador Ricardo Couto assume após renúncia de Castro, enquanto disputa no STF redefine regras da eleição indireta

Desde às 17h desta segunda-feira (23), o comando do Governo do Estado do Rio de Janeiro está nas mãos de Ricardo Couto, desembargador e presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), que assumiu interinamente após a renúncia de Cláudio Castro.

A posse segue a linha sucessória prevista em caso de dupla vacância, quando não há vice-governador em condições de assumir. Nesses casos, o chefe do Judiciário estadual ocupa o cargo temporariamente até que seja realizada uma eleição indireta pela Assembleia Legislativa (Alerj), que também opera sob comando interino.

Mas, na prática, sob o comando de Ricardo Couto, o estado entrou em um limbo institucional. Isso porque o desembargador não é um agente político e nem integra o Executivo. E mesmo que convoque a eleição indireta dentro do prazo, até esta quarta-feira (25), ele será mantido no cargo por pelo menos 30 dias, com uma atuação técnica por natureza e vinculada ao Judiciário. Isso significa que sua permanência no cargo tem caráter estritamente provisório e administrativo. Sem base política, sem projeto de governo e sem articulação com a Alerj, o interino não reúne condições de conduzir decisões estruturais, o que limita o governo à manutenção básica da máquina pública.

STF redefine regras e expõe disputa

A transição, que deveria ser rápida, acabou atravessada por uma disputa jurídica no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Luiz Fux suspendeu na semana passada trechos da lei estadual que regulamentava a eleição indireta, aprovada pela Alerj e sancionada por Cláudio Castro.

Entre os pontos barrados estão o voto aberto e o prazo de desincompatibilização de candidatos, que, ao invés das 24 horas estabelecidas pelo decreto, poderá ser realizada em até 180 dias. A decisão gerou reações em cadeia. A Alerj e o PL recorreram contra a suspensão. Já o PSD, partido do ex-prefeito Eduardo Paes, entrou com embargos de declaração, não para mudar a decisão, mas para corrigir o que considera um erro de redação. Apesar do tom técnico, o movimento tem forte carga política. No mesmo documento, o PSD afirma que a lei e a renúncia de Castro foram articuladas “com um único propósito: perpetuar no poder o grupo político” do ex-governador.

O que está em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) não é a eleição em si, mas as regras do jogo.

Um governo provisório em meio ao impasse

Enquanto o embate jurídico redefine as regras da eleição, o Rio de Janeiro permanece sob uma gestão provisória e fragilizada. Ricardo Couto ocupa o cargo por imposição constitucional, mas sem legitimidade política para liderar o estado em um momento de crise. Mesmo com a eleição indireta no horizonte, a indefinição sobre as regras amplia a instabilidade e prolonga o cenário de incerteza.

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