Em meio à crise, Unimed Ferj terá beneficiários migrados novamente

Unimed do Brasil assume carta de beneficiários, com transição imediata

Unimed do Brasil assume carta de beneficiários, com transição imediata. Foto: Reprodução/ Internet

A turbulência que envolve a Unimed Ferj vai gerar mais uma mudança para os beneficiários da operadora. Após reunião realizada na sede da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) nesta segunda-feira (10), ficou decidido que todos os usuários da Unimed Ferj serão transferidos para a Unimed do Brasil. A transição deve ser concluída até 1º de dezembro de 2025.

A determinação marca a segunda migração em pouco mais de um ano. Os beneficiários já haviam passado por uma reestruturação em maio de 2024, quando foram realocados da Unimed Rio para a Unimed Ferj. Agora, em meio ao agravamento da crise financeira e operacional da Ferj, a ANS propõe uma nova mudança para assegurar continuidade e qualidade na assistência.

A decisão contou com representantes da ANS, do Ministério Público do Rio (MPRJ), do Ministério Público Federal (MPF), da Defensoria Pública do Rio e de dirigentes das duas operadoras. Segundo a ANS, o acordo foi construído de forma conjunta e emergencial. “Com a assinatura desse acordo pelas operadoras, vamos restabelecer o pleno atendimento aos beneficiários, prioridade máxima para a ANS”, destacou o diretor-presidente da agência, Wadih Damous.

Crise e denúncias que levaram à mudança

Desde agosto, a Unimed Ferj acumula denúncias e autuações por falhas graves na prestação de serviços. Pacientes oncológicos relataram falta de medicamentos, atraso em sessões de quimioterapia e suspensão de contratos com clínicas especializadas. O centro oncológico Espaço Cuidar Bem, em Botafogo, virou alvo de protestos de pacientes e familiares.

O Procon-RJ e a Secretaria Estadual de Defesa do Consumidor autuaram a operadora por negligência, falhas estruturais e atrasos em tratamentos essenciais. Além disso, pais de crianças com deficiência denunciaram a interrupção de sessões de fisioterapia e terapias comportamentais por falta de repasses da operadora a clínicas contratadas.

A crise financeira agravou o cenário. A rede Oncoclínicas, uma das principais prestadoras de atendimento oncológico, informou que a Unimed Ferj acumula um débito de cerca de R$ 790 milhões, parcelado em 94 vezes.

Diante das denúncias e da incapacidade de resposta da operadora, a ANS instaurou, em setembro, um regime de Direção Técnica com monitoramento presencial e metas de regularização do atendimento, das quais nunca foram cumpridas. O colapso da rede levou à decisão da transferência definitiva da carteira de beneficiários para a Unimed do Brasil.

O que muda para os usuários

A ANS informou que a Unimed do Brasil assumirá imediatamente a responsabilidade integral pela assistência, garantindo que tratamentos em andamento, especialmente oncológicos, não sejam interrompidos. Ainda não há informação detalhada sobre a troca de carteirinhas, ajustes de contratos ou reorganização da rede credenciada. A agência informou que divulgará orientações oficiais durante a semana.

FacebookWhatsAppTelegramXThreads