Governo do Rio revoga decreto que alterava regras ambientais em APAs da Região dos Lagos

Decisão restabelece planos de manejo após parecer da PGE apontar ilegalidade na medida

Decisão restabelece planos de manejo após parecer da PGE apontar ilegalidade na medida

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, revogou o decreto que alterava regras ambientais em áreas de proteção do estado e restabeleceu os planos de manejo de APAs estratégicas, incluindo unidades da Região dos Lagos. A decisão foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira (14) e ocorre após parecer da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RJ) apontar ilegalidade na medida pelo então governador do Rio, Cláudio Castro (PL), às véspera de sua renúncia.

A revogação restabelece, por repristinação, a plena vigência de decretos anteriores que regulamentam as Áreas de Proteção Ambiental do Pau-Brasil, Massambaba, Serra de Sapiatiba e Maricá, na Região dos Lahos. Com isso, voltam a valer as regras que definem o uso, a ocupação e a preservação desses territórios. Essas áreas são fundamentais para a preservação da Lagoa de Araruama, de ecossistemas de restinga e de zonas costeiras sob forte pressão urbana e imobiliária.

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Revogação atende parecer da Procuradoria

A decisão do governo ocorre após análise técnica da PGE-RJ, que recomendou a revogação do decreto por possível violação à Constituição estadual e à legislação ambiental. O parecer foi motivado por um ofício encaminhado pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) ao Executivo no início de abril. O documento apontou riscos ambientais e questionou a legalidade da medida. Segundo a Procuradoria, o decreto alterava de forma irregular a estrutura de decisão sobre os planos de manejo, instrumentos centrais da política ambiental.

Um dos pontos mais questionados foi a transferência da responsabilidade pela aprovação dos novos planos de manejo ao Conselho Diretor do Instituto Estadual do Ambiente (INEA). Na avaliação da PGE, essa mudança é inadequada, já que a definição dessas regras envolve políticas públicas e pode impor restrições a direitos, o que deve permanecer sob responsabilidade do chefe do Executivo estadual.

A análise também reforça que, pela legislação, cabe ao INEA executar a política ambiental e não formular ou aprovar essas diretrizes.

Com a revogação, os planos de manejo voltam a ter validade integral. Esses instrumentos funcionam como regras detalhadas de uso do território, estabelecendo o que pode ou não ser feito em cada área das unidades de conservação.

Além das APAs da Região dos Lagos, a decisão também restabelece os planos de manejo da APA de Tamoios, em Angra dos Reis, áreas igualmente estratégicas e sob pressão de ocupação.

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