Por que as algas invadiram a Praia do Forte tantas vezes em 2026?

Fenômeno natural se tornou frequente este ano por conta de correntes marítimas, ressacas e aquecimento da água

Fenômeno natural se tornou frequente este ano por conta de correntes marítimas, ressacas e aquecimento da água— Foto: Reprodução/ Internet

Quem é frequentador assíduo da Praia do Forte, em Cabo Frio, sabe que, nos primeiros meses do ano, é comum que a faixa de areia seja tomada por algas marrons. O cenário, que costuma acontecer principalmente entre janeiro e fevereiro, sempre levantou dúvidas entre banhistas. No entanto, por ter se repetido pelo menos uma vez a cada mês em 2026, tem gerado cada vez mais curiosidade. 

Para entender os motivos dessa constância, o portal Fontecerta.com procurou o biólogo e secretário de Meio Ambiente de Cabo Frio, Jailton Nogueira. Ele esclareceu que não há motivo para alarde e que a alta frequência na aparição de algas na praia mais famosa da cidade está ligada principalmente à ação da natureza.

“O que chega à Praia do Forte são “algas arribadas”, que crescem a algumas milhas da costa e são arrancadas pelas correntes marítimas e ressacas, sendo trazidas para a orla”, explicou. 

Ainda segundo ele, a chave para entender por que as algas marrons — ou feofíceas — estão aparecendo tantas vezes e em maior volume está nos termômetros globais. O secretário aponta que a alta frequência atual é impulsionada pelo aquecimento das águas, intensificado por registros históricos do fenômeno La Niña, iniciado em setembro de 2025 e com previsão de término para este outono.

“A água quente resulta em um maior metabolismo. Quando você vai para uma piscina gelada, você fica encolhido. Quando vai para uma quente, já se exercita, movimenta. É isso que a alga faz. Ela vive, se prolifera e cresce”, conta o biólogo. Com uma reprodução acelerada e correntes marítimas favoráveis apontando para a Praia do Forte, o depósito dessas plantas na areia se torna um ciclo contínuo a cada troca de maré.

Devemos nos preocupar com a frequência?

Ao longo do ano, Jailton tem se dedicado a explicar o fenômeno das algas arribadas através de publicações nas redes sociais. O secretário sempre reforça que o fenômeno é natural. E ao portal Fontecerta.com, ele também explicou que, apesar da alta frequência não ser algo comum, a aparição de algas não oferece riscos.

No comando do Meio Ambiente da cidade desde o início de 2025, ele afirmou que tem acompanhado a situação de perto e que já chegou a realizar coletas do material para atestar a ausência de toxicidade. Além disso, contou que, como a situação não configura um dano ao ecossistema, não há necessidade de retirar as algas — principalmente porque isso causaria um desequilíbrio no bioma, já que outras espécies se alimentam delas. 

Questionado se a frequência de aparição dessas algas se tornará um padrão para os próximos anos, o secretário adotou cautela diante das mudanças climáticas, mas convidou a população a mudar a perspectiva sobre a dinâmica das praias da região.

“Vivemos, graças a Deus, em uma Cabo Frio rodeada de ecossistemas naturais. Eles respiram, fazem suas necessidades, choram e riem. Temos que saber conviver com a natureza da mesma forma que convivemos conosco”, concluiu.

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