Os golpes envolvendo compra, venda e aluguel de imóveis estão em alta no Estado do Rio de Janeiro e têm acendido um alerta para quem pretende investir, adquirir a casa própria ou até mesmo alugar um imóvel para moradia ou temporada. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 apontam que os crimes de estelionato somam cerca de 83 mil ocorrências por ano no estado, o equivalente a mais de nove golpes por hora. Em comparação com 2018, o crescimento foi de 317%.
Entre as fraudes mais comuns estão a venda de imóveis por falsos proprietários, anúncios de propriedades inexistentes, negociações realizadas sem autorização dos donos e até a comercialização do mesmo imóvel para mais de um comprador. Também são frequentes os casos em que dívidas, penhoras ou restrições judiciais são omitidas durante a negociação.
Na Região dos Lagos, onde o mercado imobiliário é impulsionado pelo turismo e pela procura por imóveis de temporada, especialistas alertam que os cuidados devem ser redobrados. Em períodos de feriados prolongados, férias e alta temporada, aumenta a circulação de anúncios em plataformas digitais e redes sociais, ambiente frequentemente utilizado por criminosos para aplicar golpes.
Um caso recente registrado em Cabo Frio reforça o alerta. Em maio deste ano, a Polícia Civil prendeu uma mulher e o filho suspeitos de integrar um esquema de fraudes envolvendo falsas negociações imobiliárias e aluguéis na Região dos Lagos. Segundo as investigações, o prejuízo causado às vítimas ultrapassa R$ 200 mil. O episódio chama atenção para a importância da verificação das informações antes da realização de qualquer pagamento.
Para evitar prejuízos, os Cartórios de Registro de Imóveis disponibilizam o portal RI Digital, plataforma que reúne dados de mais de 4,9 milhões de propriedades em todo o estado. Pelo sistema, é possível consultar a matrícula do imóvel e solicitar uma certidão digital atualizada, documento que reúne o histórico completo da propriedade e identifica o proprietário legal, além de apontar a existência de dívidas, penhoras ou impedimentos para a venda.
Segundo o presidente do Registro de Imóveis do Brasil – Seção Rio de Janeiro (RIB-RJ), Sergio Ávila, a principal falha explorada pelos golpistas é justamente a falta de consulta às bases oficiais. “Grande parte dos golpes ocorre quando o comprador confia apenas em documentos apresentados fora do ambiente oficial. A matrícula do imóvel é a única fonte que reúne, com validade jurídica, a identificação do proprietário e todas as condições que envolvem aquele bem”, afirma.
A recomendação é que compradores e locatários jamais realizem pagamentos antecipados sem antes verificar a documentação do imóvel e a identidade do vendedor ou intermediador. Também é importante desconfiar de preços muito abaixo do mercado, da pressa para concluir o negócio e da ausência de documentos oficiais.


