O cinema brasileiro celebra um momento histórico com o sucesso de bilheteria “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles e indicado ao Oscar 2025 na categoria de Melhor Filme Internacional. Ao Portal Fontecerta.com, o ator Daniel Ericsson, que interpreta Vinicius no longa, compartilha sua experiência no projeto e fala sobre seu papel como professor de teatro em Cabo Frio, onde inspira jovens talentos diariamente.
Embora nascido na Suécia, Daniel adotou Cabo Frio como lar. Formou-se em Teatro na tradicional Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) no Rio de Janeiro, e desde então contribui com a cena teatral da Região dos Lagos, participando de peças teatrais e até mesmo comerciais em TV. Em 2022, surgiu o convite para atuar nas telonas. As gravações aconteceram no segundo semestre de 2023. Daniel lembra com carinho do processo seletivo conduzido pela diretora de elenco Letícia Naveira. “Foi uma experiência transformadora desde o início. Já na primeira leitura do roteiro, havia uma energia única no set. Todos estávamos dedicados a contar uma história tão importante com o respeito e a sensibilidade que ela exige”, conta.

No filme, Daniel é o agente militar envolvido na captura de Rubens Paiva, figura central na trama, interpretado por Selton Mello. “Participar deste longa foi enriquecedor. Contracenar com atores e atrizes, que com humildade e talento buscaram dar vida a cada um dos personagens, foi uma experiência fantástica, sobretudo com a direção elegante e atenciosa de Walter Salles. Um verdadeiro privilégio”, destaca.
Inspiração dentro e fora das salas de aula
Além do longa, Daniel também possui uma extensa carreira como professor, ministrando aulas de teatro a partir dos 5 anos no Curso de TV e Teatro Marcelo Pires na cidade de Cabo Frio. Por lá, a repercussão do filme tem sido positiva e impacta diretamente os alunos, que enxergam o professor como referência de sucesso e dedicação. Daniel relata com orgulho esse momento. “É emocionante perceber que nosso trabalho no cinema pode alcançar tantas pessoas. Inspirar os nossos jovens é bom, mas melhor é saber que aquele ou aquela jovem que se sentir visceralmente tocada a fazer arte, encontre locais de capacitação, escolas de arte, teatros, centros culturais a disposição de sua sede”, pontua o professor que ministra oficinas de iniciação no teatro e de interpretação para TV e Cinema. “Sonhamos em formar ainda mais talentos e fortalecer a arte em nossa região. O que nos mantém vivos é a água ou a sede? Precisamos de ambos: a sede pela arte e os meios para saciá-la”, reflete Daniel.
O ator se dedica ainda na estreia regional do monólogo “O Sonho de um Homem Ridiculo”, uma adaptação livre para o conto escrito pelo russo Fiodor Dostoiévski. O projeto solo segue sem apoio de editais de incentivo. “Estamos buscando ajuda das empresas que acreditarem na cultura e na arte para viabilizar a circulação do trabalho”, pontua.

Um filme de reflexão
“Ainda Estou Aqui” já atingiu a marca de 2 milhões de espectadores, lotando salas de cinemas por todo o país, além de conquistar o prêmio “Osella de Ouro”, de Melhor Roteiro no Festival de Veneza. Apesar do favoritismo à estatueta do Oscar para 2025, Daniel acredita que o maior prêmio do longa é seu impacto social entre a sociedade. “A ditadura foi uma mácula em nossa história, e este filme nos lembra do que não podemos repetir. Que este seja um momento de reflexão para todos os brasileiros e uma inspiração para continuarmos contando nossas histórias no cinema”, conclui.


