A investigação que apura a produção e a venda de peças de armas fabricadas em impressoras 3D, conhecidas como “armas fantasmas”, chegou à Região dos Lagos. Segundo a Polícia Civil, compradores ligados ao esquema foram identificados em Araruama, São Pedro da Aldeia e Búzios, cidades que aparecem entre os endereços alvo de diligências da Operação Shadowgun, deflagrada nesta quinta-feira (12).
A ação é coordenada pela Delegacia da Taquara, na capital fluminense, em conjunto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público. Ao todo, foram expedidos quatro mandados de prisão e 32 mandados de busca e apreensão em 11 estados brasileiros. Até o momento, quatro suspeitos foram presos.
No estado do Rio de Janeiro, as investigações apontaram a existência de dez compradores espalhados por diferentes cidades. Além da Região dos Lagos, São Francisco de Itabapoana, no norte do estado aparece no inquérito. Durante a operação desta quinta-feira, agentes cumprem seis mandados de busca e apreensão em endereços ligados a esses investigados, tanto na capital quanto no interior.
De acordo com a Polícia Civil, o objetivo das diligências é esclarecer qual foi o destino final das peças de armamento adquiridas no estado. A suspeita é de que parte do material tenha sido destinada a organizações criminosas, como o tráfico de drogas e milícias. Um dos compradores identificados já está preso após ter sido flagrado anteriormente com grande quantidade de armas e munições.
Organização usava impressão 3D para produzir armamentos
As investigações revelaram a atuação de uma organização criminosa estruturada, dedicada ao desenvolvimento e à disseminação de armamentos produzidos com tecnologia de impressão 3D. Esse tipo de armamento ficou conhecido como “arma fantasma”, por não possuir numeração ou rastreabilidade, o que dificulta o controle pelas autoridades.
O grupo seria liderado pelo engenheiro Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, que utilizava o pseudônimo “Zé Carioca” na internet. Segundo o Ministério Público, ele foi responsável por desenvolver um dos projetos de arma impressa em 3D mais difundidos nesse tipo de subcultura digital.
Utilizando redes sociais, fóruns e ambientes da dark web, o investigado divulgava arquivos digitais, manuais técnicos e orientações detalhadas de montagem, permitindo que qualquer pessoa com acesso a uma impressora 3D e conhecimentos intermediários pudesse produzir o armamento em poucas semanas.
Somente em uma plataforma de vendas on-line foram identificadas 79 negociações realizadas entre 2021 e 2022, muitas delas destinadas ao estado do Rio de Janeiro. As investigações apontam ainda que parte dos compradores possui antecedentes criminais ligados ao tráfico de drogas, homicídios e milícia.
Segundo o Ministério Público, os denunciados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas de fogo. As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e rastrear a circulação do material produzido pelo grupo em diferentes regiões do país.



